A polêmica em torno da distribuição dos recursos do fundo partidário do PSOL ganhou novos contornos nesta quarta-feira (23), quando a deputada federal Erika Hilton (PSOL-SP) afirmou que só permanece na legenda porque a direção do partido “implorou” para que ela ficasse e ajudasse a sigla a cumprir a cláusula de barreira. A declaração foi feita ao Painel, da Folha de S.Paulo, em meio a uma crise interna que expõe tensões entre lideranças e a base do partido.
Segundo Hilton, a direção do PSOL teria feito um apelo direto para que ela não deixasse a legenda, em um momento crítico para a sobrevivência eleitoral do partido. “O PSOL me implorou para ficar”, disse a deputada, que é uma das principais vozes do partido na Câmara dos Deputados. A cláusula de barreira, que exige que os partidos obtenham um mínimo de votos ou elejam um número mínimo de parlamentares para ter acesso a recursos e tempo de TV, tem sido um desafio para legendas menores, como o PSOL.
Panorama político e impacto da crise
A crise no PSOL ocorre em um contexto de fragmentação partidária e de disputas internas por recursos. O fundo partidário, que em 2026 soma R$ 1,2 bilhão, é um dos principais instrumentos de financiamento das legendas, e sua distribuição tem gerado controvérsias em várias siglas. No PSOL, a polêmica envolve a alocação de verbas para candidaturas e estruturas partidárias, com acusações de favorecimento a grupos específicos. A declaração de Hilton expõe a fragilidade das alianças internas e levanta questões sobre a governança do partido, que busca se consolidar como uma alternativa de esquerda no cenário nacional.
A deputada, que é uma das figuras mais conhecidas do PSOL, com forte atuação em pautas de direitos humanos e diversidade, não detalhou os termos do suposto apelo da direção. No entanto, sua fala sugere que a legenda enfrenta dificuldades para manter sua bancada e cumprir as exigências legais. O PSOL, que atualmente tem 10 deputados federais, precisa de ao menos 2% dos votos válidos para a Câmara ou de 11 deputados eleitos em 2026 para superar a cláusula de barreira, o que torna cada parlamentar crucial para a sobrevivência do partido.
A polêmica sobre o fundo partidário também reflete um debate mais amplo sobre o financiamento da política no Brasil. Enquanto partidos maiores, como PT e PL, têm acesso a fatias generosas do fundo, legendas menores frequentemente dependem de negociações internas e de lideranças carismáticas para garantir recursos. No caso do PSOL, a crise expõe a tensão entre a necessidade de manter a unidade partidária e as ambições individuais de seus membros, em um ano eleitoral decisivo.
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