A Polícia Federal deflagrou nesta terça-feira (23) a Operação Miragem, que cumpriu mandados contra diretores do banco Digimais, instituição controlada pelo bispo Edir Macedo, fundador da Igreja Universal do Reino de Deus e proprietário da RecordTV. A ação resultou no bloqueio de R$ 670 milhões, em um movimento que expõe as conexões entre o sistema financeiro, grupos religiosos e grandes conglomerados de mídia no Brasil.
As investigações apontam para supostas irregularidades na gestão do banco, que teriam causado prejuízos a investidores e gerado suspeitas de lavagem de dinheiro. A operação ocorre em um momento de crescente escrutínio sobre instituições financeiras de médio porte, especialmente aquelas vinculadas a lideranças religiosas, que muitas vezes operam com elevado fluxo de recursos de fiéis e doações.
Semelhanças com o caso Master e o cenário de regulação
O caso do Digimais reacende comparações com o escândalo do banco Master, que também envolveu bloqueios bilionários e investigações por fraudes financeiras. Em ambos os episódios, a Polícia Federal e o Ministério Público atuaram para desarticular esquemas que, segundo as apurações, utilizavam estruturas bancárias para desviar recursos e ocultar patrimônio. A semelhança reside na fragilidade dos mecanismos de fiscalização do Banco Central e na dificuldade de monitorar instituições que misturam atividades financeiras com interesses corporativos e religiosos.
Especialistas ouvidos por veículos como a Folha de S.Paulo destacam que a Operação Miragem evidencia a necessidade de uma reforma no sistema de supervisão bancária, especialmente para bancos que não fazem parte do grande circuito do mercado de capitais. A concentração de poder em figuras como Edir Macedo, que controla não apenas o banco, mas também uma das maiores redes de televisão do país, levanta alertas sobre conflitos de interesse e a influência política desses grupos.
O episódio também ocorre em um contexto de debates no Congresso Nacional sobre a regulamentação de instituições financeiras ligadas a entidades religiosas. Projetos de lei que visam aumentar a transparência e a prestação de contas desses bancos ganharam força após o caso Master, mas ainda enfrentam resistência de setores políticos alinhados a lideranças evangélicas. A operação contra o Digimais pode acelerar essas discussões, especialmente com a aproximação das eleições de 2026.
Enquanto isso, a Igreja Universal e a RecordTV ainda não se manifestaram oficialmente sobre a operação. O bispo Edir Macedo, que já foi alvo de outras investigações no passado, nega qualquer irregularidade. A Polícia Federal continua as apurações, e novos desdobramentos são esperados nos próximos dias, incluindo possíveis prisões e a análise dos documentos apreendidos.
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