Uma nova pesquisa divulgada nesta quinta-feira (26) pelo instituto Datafolha revela um empate técnico entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o deputado federal Flávio Bolsonaro (PL) em um eventual segundo turno das eleições de 2026. De acordo com o estudo, Flávio Bolsonaro registra 45% das intenções de voto, enquanto Lula aparece com 43%, dentro da margem de erro de dois pontos percentuais. O levantamento, realizado entre os dias 23 e 25 de junho, ouviu 2.500 eleitores em 150 municípios brasileiros e tem nível de confiança de 95%.
O cenário de empate técnico reflete a polarização que domina o eleitorado nacional, com ambos os candidatos apresentando altos índices de rejeição. Lula, que lidera no primeiro turno com 41% das intenções, contra 31% de Flávio Bolsonaro, vê sua vantagem reduzir-se drasticamente no confronto direto. A rejeição aos dois é a maior já registrada pelo instituto desde 1989: 49% dos entrevistados afirmam que não votariam em Lula de jeito nenhum, enquanto 47% rejeitam Flávio Bolsonaro. Esse fenômeno, segundo analistas, indica um eleitorado cansado da polarização e aberto a terceiras vias, embora nenhum outro candidato tenha alcançado dois dígitos no primeiro turno.
Panorama político e impacto do fundo eleitoral
O empate técnico ocorre em um contexto de forte investimento partidário. O Fundo Eleitoral do PL, partido de Flávio Bolsonaro, triplicou nos últimos quatro anos, atingindo R$ 881,6 milhões para a campanha de 2026, conforme dados do Tribunal Superior Eleitoral (TSE). Esse montante, o maior entre todas as legendas, permite ao PL uma capilaridade nacional que contrasta com a estrutura do PT, que recebeu R$ 312 milhões. Especialistas apontam que o volume de recursos pode influenciar a reta final da campanha, especialmente em estados como Tocantins, onde a disputa entre Lula e Flávio Bolsonaro já aparece empatada tanto no primeiro quanto no segundo turno, segundo pesquisa local do Datafolha.
A pesquisa também revela que a vantagem de Lula no primeiro turno se mantém estável desde o levantamento anterior, de maio, quando ele tinha 41% e Flávio Bolsonaro 31%. No entanto, a rejeição recorde aos dois candidatos — a maior da série histórica — sugere que o eleitorado está mais crítico e menos propenso a migrar de voto. O instituto registrou que 23% dos eleitores ainda não sabem em quem votar ou votariam em branco/nulo no primeiro turno, um contingente que pode ser decisivo para o resultado final.
Disputa acirrada e cenário de incertezas
O empate técnico no segundo turno coloca em xeque a hegemonia de Lula, que venceu as eleições de 2022 com 50,9% dos votos válidos. Flávio Bolsonaro, por sua vez, busca consolidar o legado do ex-presidente Jair Bolsonaro, seu pai, e capitalizar a insatisfação com o governo petista. A pesquisa mostra que, no cenário de segundo turno, a diferença de dois pontos percentuais está dentro da margem de erro, o que significa que qualquer um dos dois poderia vencer. O Datafolha também testou um cenário sem Lula, com o vice-presidente Geraldo Alckmin (PSB) como candidato do PT, mas Flávio Bolsonaro venceria com 48% contra 38%.
Para cientistas políticos ouvidos pela reportagem, o resultado reflete a fragmentação do eleitorado e a dificuldade de ambos os candidatos em ampliar suas bases. A polarização, embora forte, não garante vitória automática a nenhum dos lados, especialmente com a rejeição elevada. O estudo do Datafolha, que mantém o cenário estável desde o início do ano, indica que a campanha oficial, que começa em agosto, será marcada por ataques mútuos e tentativas de conquistar o eleitorado indeciso. O fundo eleitoral do PL, que triplicou em quatro anos, pode ser um diferencial, mas a capacidade de Lula de mobilizar a máquina pública e o apoio de movimentos sociais também pesa na balança.
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