Governo renova cota de importação de carros elétricos sem imposto para conter preços e gerar debate com montadoras nacionais

O governo federal, por meio do Comitê-Executivo de Gestão da Câmara de Comércio Exterior (Gecex), renovou nesta terça-feira (23) a cota de importação de carros elétricos semimontados (SKD) e desmontados (CKD) sem cobrança de imposto de importação, em uma decisão que visa garantir “melhores preços” ao consumidor brasileiro, conforme afirmou o ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (MDIC), Márcio Fernando Elias Rosa, nesta quarta-feira (24). O volume de importações isentas de tributos será de US$ 463 milhões durante seis meses, a partir de 1º de julho de 2026, em um contexto de crescimento acelerado da frota de veículos elétricos no país e de investimentos de montadoras chinesas como BYD e Geely em plantas locais.

A medida, anunciada em ano eleitoral, busca evitar um aumento nos preços dos carros elétricos no Brasil, que atualmente entram no país sem pagar impostos dentro das regras estabelecidas. Em paralelo, empresas chinesas já iniciaram projetos para produzir no território nacional, o que poderia, no médio prazo, reduzir a dependência de importações. “O governo federal tomou a decisão ontem não foi para causar danos para a produção indústria nacional, mas foi para favorecer sobretudo o consumidor, o mercado. E não ignorando que temos de ter uma série de medidas para acomodar todos os interesses, que são legítimos”, declarou Márcio Elias ao programa “Bom dia, Ministro”, da EBC.

Pela decisão do Gecex, os veículos CKD (completamente desmontados) e SKD (semimontados) não pagarão imposto de importação pelos próximos seis meses, até que o volume total de importação atinja o limite definido pelo governo. “Precisamos garantir os melhores preços aos consumidores, na medida do possível. A indústria [automotiva] é essencial ao país, são mais de 110 mil empregos diretos”, acrescentou o ministro do Desenvolvimento.

Reação das montadoras nacionais

A decisão, no entanto, gerou forte reação das montadoras nacionais. Em nota, a Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea) classificou a medida como “contrária aos interesses dos trabalhadores, das fabricantes nacionais de veículos e das empresas brasileiras de autopeças”. A entidade criticou a falta de consulta ao setor produtivo e afirmou que a alteração “intempestiva” de uma política definida pelo próprio governo federal compromete o objetivo de combinar a expansão da eletromobilidade com a atração de investimentos produtivos de longo prazo para o país.

“As cotas para importação de kits de veículos elétricos terminaram em fevereiro de 2026, conforme definido no ano passado pelo governo após longo debate com o setor produtivo”, prosseguiu a nota da Anfavea. O ministro Márcio Elias Rosa rebateu, afirmando que o governo federal tem intensificado e fortalecido a indústria automotiva no Brasil, que encontra vantagens e instrumentos para se adaptar ao novo cenário.

O panorama político geral revela um embate entre a necessidade de conter a inflação e proteger o consumidor, especialmente em um ano eleitoral, e os interesses da indústria nacional, que teme a concorrência desleal de importados chineses. A renovação da cota, sem imposto, pode acelerar a transição para veículos elétricos no Brasil, mas também levanta questionamentos sobre o impacto na geração de empregos e na competitividade das montadoras locais, que já enfrentam desafios com a chegada de novos players globais.

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