Investigação sobre bets mira Neymar e Virginia após 42 mil denúncias; multa pode chegar a R$ 120 milhões

Uma investigação civil aberta pelo Ministério Público quer apurar se o jogador Neymar e a influenciadora Virginia induziram seus seguidores a erro ao promoverem uma casa de apostas com discursos de ‘renda extra’. O inquérito foi instaurado após o recebimento de 42 mil denúncias formais, que apontam indícios de publicidade enganosa e violação ao Código de Defesa do Consumidor. Caso as irregularidades sejam confirmadas, a multa aplicada pode chegar a R$ 120 milhões, valor que reflete o potencial dano coletivo causado pela suposta prática abusiva.

A apuração, conduzida pela Promotoria de Justiça de Defesa do Consumidor, tem como alvo principal a plataforma de apostas esportivas que contratou os influenciadores. De acordo com os autos, as postagens de Neymar e Virginia sugeriam que apostar seria uma forma fácil e segura de obter ganhos financeiros, sem alertar sobre os riscos reais de perdas e o caráter viciante do jogo. A legislação brasileira proíbe que anúncios de jogos de azar criem falsas expectativas ou omitam informações essenciais para o consumidor.

Panorama político e regulatório

O caso ocorre em um momento de intenso debate no Congresso Nacional sobre a regulamentação das apostas esportivas no Brasil. Enquanto o governo federal tenta avançar com um marco legal que tribute e fiscalize o setor, parlamentares de diferentes partidos criticam a falta de controle sobre a publicidade agressiva feita por celebridades. A investigação contra Neymar e Virginia pode acelerar a aprovação de regras mais rígidas, como a proibição de influenciadores menores de 21 anos e a exigência de alertas obrigatórios sobre danos financeiros e psicológicos.

Além disso, a atuação do Ministério Público reforça a tendência de responsabilização solidária entre anunciantes e plataformas. Especialistas ouvidos pelo portal Republica do Povo destacam que, se condenados, os influenciadores podem ser obrigados a pagar indenizações individuais e coletivas, além de terem que veicular retratações públicas. A multa de R$ 120 milhões, prevista no Código de Defesa do Consumidor, seria calculada com base no faturamento da empresa e no alcance das postagens, que somam milhões de seguidores.

Impacto social e próximos passos

As 42 mil denúncias que motivaram o inquérito foram registradas por consumidores que se sentiram enganados ao perder dinheiro após seguir as recomendações dos influenciadores. Muitos relataram ter contraído dívidas ou comprometido a renda familiar. A investigação agora coleta provas digitais, contratos de publicidade e depoimentos de Neymar, Virginia e dos diretores da casa de apostas. O prazo inicial para conclusão é de 90 dias, prorrogável por igual período.

Enquanto isso, a Comissão de Defesa do Consumidor da Câmara dos Deputados anunciou que vai convocar os envolvidos para prestar esclarecimentos. O caso também reacende o debate sobre a responsabilidade ética de figuras públicas ao promoverem produtos de alto risco, como apostas e criptomoedas. Para o Ministério Público, a mensagem é clara: influenciadores não podem se eximir de responsabilidade quando suas ações causam danos reais à população.

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