Uma operação de fiscalização ambiental no estado do Maranhão resultou na apreensão de uma carga ilegal de madeira nativa com destino ao município de Arapiraca, em Alagoas. O motorista do caminhão foi preso em flagrante após ser flagrado transportando mais de 66 metros cúbicos de madeira sem a documentação ambiental obrigatória, conforme informou a Secretaria de Estado do Meio Ambiente e Recursos Naturais do Maranhão (SEMA/MA). A ação, ocorrida na última quarta-feira (26), integra um esforço mais amplo de combate ao desmatamento ilegal e ao comércio irregular de recursos florestais na região Nordeste.
A carga, composta por espécies nativas da Amazônia Legal, era transportada em um caminhão baú que foi abordado em uma barreira policial na BR-135, próximo ao município de Santa Inês. De acordo com a SEMA/MA, a documentação apresentada pelo condutor não correspondia à origem nem ao volume da madeira, configurando crime ambiental. O motorista, que não teve o nome divulgado, foi encaminhado à delegacia de Polícia Civil de Santa Inês, onde responderá por transporte ilegal de madeira, crime previsto na Lei de Crimes Ambientais (Lei 9.605/1998), com pena que pode chegar a três anos de detenção.
A apreensão ocorre em um contexto de aumento da fiscalização sobre o comércio de madeira entre estados do Norte e Nordeste. Dados do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (IBAMA) indicam que, somente em 2025, mais de 15 mil metros cúbicos de madeira ilegal foram apreendidos em operações conjuntas com polícias estaduais. O destino da carga, Arapiraca, é um polo comercial e industrial no agreste alagoano, o que levanta suspeitas sobre a existência de uma rede de receptação e distribuição de madeira ilegal na região.
Panorama político e ambiental
O caso expõe as fragilidades do sistema de controle de transporte de madeira no Brasil, especialmente em rotas que cruzam fronteiras estaduais. Especialistas apontam que a falta de integração entre os sistemas de licenciamento ambiental dos estados facilita a atuação de criminosos. Em nota, a SEMA/MA afirmou que a operação faz parte de um plano de ações integradas com o IBAMA e as polícias Civil e Militar, visando coibir o desmatamento ilegal e o tráfico de madeira. A secretaria também destacou que a madeira apreendida será doada para instituições públicas ou utilizada em projetos de reflorestamento, após perícia.
O episódio também reacende o debate sobre a eficácia das políticas de combate ao desmatamento na Amazônia Legal. O Maranhão, que abriga parte da floresta amazônica, registrou em 2025 um aumento de 12% nos alertas de desmatamento, segundo o sistema DETER do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE). Organizações ambientalistas, como o Greenpeace Brasil, criticam a lentidão na implementação de sistemas de rastreamento obrigatório para madeira, como o DOF (Documento de Origem Florestal), e cobram maior rigor na fiscalização de serrarias e depósitos.
A Polícia Civil de Santa Inês investiga a origem da carga e possíveis conexões com esquemas de grilagem de terras e exploração ilegal de madeira na região. Até o momento, nenhum suspeito adicional foi preso, mas as investigações seguem em andamento. O caso deve ser encaminhado ao Ministério Público do Maranhão para análise de possíveis responsabilidades de empresas ou pessoas físicas envolvidas na cadeia de comércio ilegal.
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