Um auxiliar de enfermagem foi preso na Hungria após confessar o uso ilegal de restos humanos, retirados de um hospital e de cemitérios locais, em um caso que chocou o país e reacendeu o debate sobre a fiscalização de serviços funerários e de saúde. O suspeito, cujo nome não foi divulgado pelas autoridades, é investigado por vilipêndio de cadáver e teria atuado por meses, removendo partes de corpos sem autorização legal. A prisão ocorreu na última quarta-feira, 26 de junho, em Budapeste, capital húngara, após uma denúncia anônima que levou a polícia a monitorar suas atividades.
De acordo com a investigação conduzida pela Polícia Nacional Húngara, o auxiliar de enfermagem trabalhava em um hospital público da região e, durante plantões noturnos, acessava o necrotério para retirar órgãos e tecidos de cadáveres. Ele também teria invadido cemitérios durante a madrugada, exumando corpos recentemente sepultados. Em depoimento, o suspeito confessou que vendia os restos humanos para colecionadores particulares e para a produção de itens como joias e objetos de decoração, prática que, segundo ele, era realizada há cerca de dois anos. As autoridades estimam que pelo menos 15 corpos foram violados, mas o número pode ser maior, já que a investigação ainda está em andamento.
O caso ganhou repercussão internacional por expor fragilidades no sistema de saúde húngaro, especialmente na segurança de necrotérios e na supervisão de profissionais que lidam com corpos. A Hungria, que integra a União Europeia, possui leis rigorosas contra o vilipêndio de cadáver, com penas que podem chegar a cinco anos de prisão. No entanto, especialistas apontam que a falta de câmeras de vigilância e de protocolos de controle em hospitais públicos facilita esse tipo de crime. O Ministério da Saúde húngaro anunciou uma auditoria emergencial em todas as unidades hospitalares do país, enquanto o governo prometeu endurecer as penalidades para casos de tráfico de restos humanos.
O episódio também levanta questões éticas e legais sobre o comércio de partes do corpo humano, que, embora proibido na maioria dos países, ainda ocorre de forma clandestina. Na Hungria, a venda de órgãos e tecidos é crime, mas a demanda por itens como crânios e ossos para fins de colecionismo ou rituais esotéricos alimenta um mercado negro. Organizações de direitos humanos, como a Anistia Internacional, criticaram a lentidão das autoridades em identificar o esquema e cobraram maior transparência nas investigações. A família de uma das vítimas, que preferiu não se identificar, declarou à imprensa local que se sente “traída pelo sistema” e que busca justiça.
O caso ocorre em um contexto de crescente preocupação com a integridade dos serviços funerários na Europa. Em 2023, um escândalo similar na Alemanha envolveu a venda de ossos humanos por funcionários de crematórios, resultando em prisões. Na Hungria, o governo de Viktor Orbán, conhecido por sua postura conservadora, enfrenta pressão para demonstrar eficiência no combate a crimes que afetam a dignidade humana. A oposição húngara já convocou uma audiência no Parlamento para discutir falhas no sistema de saúde, enquanto a mídia local destaca que o auxiliar de enfermagem preso pode ter atuado com a conivência de outros profissionais, o que ainda está sob investigação.
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