A Ordem dos Advogados do Brasil – Seção São Paulo (OAB-SP) suspendeu, nesta quinta-feira (26 de junho de 2026), o registro profissional da influenciadora e advogada Deolane Bezerra, impedindo-a de atuar como advogada. A medida cautelar, que tem efeito imediato, pode durar até 360 dias, conforme decisão do Tribunal de Ética e Disciplina da entidade. A suspensão ocorre em meio ao processo em que Deolane Bezerra figura como ré por lavagem de dinheiro e organização criminosa, em investigação que envolve movimentações financeiras suspeitas e suposto esquema de ocultação de ativos.
A decisão da OAB-SP foi tomada com base no Estatuto da Advocacia e no Código de Ética e Disciplina, que preveem a suspensão cautelar do exercício profissional em casos de indícios de conduta incompatível com a advocacia. Segundo o relator do caso, conselheiro Carlos Alberto de Oliveira, a medida é necessária para preservar a imagem da classe e evitar que a ré continue atuando enquanto responde a acusações criminais graves. “A presença de indícios de envolvimento em crimes de lavagem de dinheiro e organização criminosa compromete a confiança pública na advocacia”, afirmou o conselheiro em trecho da decisão.
Deolane Bezerra, que ganhou notoriedade como influenciadora digital e advogada criminalista, tornou-se ré em ação penal movida pelo Ministério Público de São Paulo, que aponta movimentações financeiras atípicas no valor de R$ 12,7 milhões entre 2022 e 2025. As investigações, conduzidas pela Polícia Civil e pelo Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (GAECO), indicam que a advogada teria utilizado contas de terceiros e empresas de fachada para ocultar a origem de recursos obtidos por meio de atividades ilícitas, incluindo jogos ilegais e fraudes digitais. A defesa de Deolane Bezerra, representada pelo advogado Fábio de Souza, nega as acusações e afirma que a suspensão é “desproporcional e prematura”, prometendo recorrer ao Conselho Federal da OAB.
Panorama político e jurídico
A suspensão de Deolane Bezerra ocorre em um contexto de crescente escrutínio sobre a atuação de influenciadores digitais que também exercem profissões regulamentadas, como a advocacia. Nos últimos meses, a OAB-SP intensificou a fiscalização ética, especialmente em casos que envolvem exposição pública e possíveis conflitos de interesse. A decisão também reflete uma tendência nacional de endurecimento de medidas disciplinares contra advogados envolvidos em investigações criminais, como visto em casos semelhantes no Rio de Janeiro e em Minas Gerais, onde a OAB suspendeu registros de profissionais ligados a esquemas de lavagem de dinheiro e corrupção.
No âmbito político, o caso ganhou repercussão por envolver uma figura pública com milhões de seguidores nas redes sociais, o que levanta debates sobre a responsabilidade ética de influenciadores que usam a advocacia como plataforma. Parlamentares da Comissão de Fiscalização Financeira da Câmara dos Deputados, como o deputado Luis Carlos de Almeida (PSDB-SP), defenderam a medida como “necessária para coibir abusos e proteger a credibilidade do sistema de Justiça”. Por outro lado, setores da sociedade civil, como o Instituto de Defesa do Direito de Defesa, criticaram a suspensão cautelar, argumentando que ela viola o princípio da presunção de inocência e pode prejudicar o direito de defesa da ré.
Enquanto aguarda o julgamento do recurso, Deolane Bezerra fica proibida de exercer qualquer ato privativo de advocacia, como patrocinar causas, assinar petições ou representar clientes em juízo. A OAB-SP informou que a suspensão pode ser revista caso a ré comprove a inexistência de indícios de conduta incompatível ou se houver absolvição no processo criminal. O caso segue sob sigilo, mas a decisão já é considerada um marco na regulação ética da advocacia no Brasil, com impacto direto na atuação de profissionais que conciliam carreira jurídica e influência digital.
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