Satélite do Copernicus registra temperaturas acima de 50°C na França e Espanha durante onda de calor histórica

O programa Copernicus Sentinel-3, da Agência Espacial Europeia (ESA), registrou temperaturas de superfície superiores a 50°C em regiões da França e da Espanha durante a intensa onda de calor que atinge a Europa. As imagens, capturadas pelo satélite no último fim de semana, revelam picos térmicos extremos, com valores que ultrapassam os 50°C em áreas como o sul da França e o nordeste da Espanha, reforçando o cenário de emergência climática no continente.

De acordo com os dados divulgados pelo Copernicus, as medições referem-se à temperatura da superfície terrestre, que pode ser significativamente mais alta do que a temperatura do ar registrada em estações meteorológicas. Enquanto termômetros oficiais marcaram máximas entre 40°C e 45°C em cidades como Toulouse e Barcelona, o satélite detectou temperaturas de solo acima de 50°C, especialmente em áreas urbanas e agrícolas expostas ao sol direto. O fenômeno, conhecido como ilha de calor, agrava os riscos à saúde pública, com autoridades locais emitindo alertas vermelhos para desidratação, insolação e agravamento de doenças cardiovasculares.

A onda de calor, que já dura mais de uma semana, é atribuída a uma massa de ar quente vinda do norte da África, combinada com a ausência de frentes frias e a persistência de altas pressões atmosféricas. Na Espanha, o governo ativou protocolos de emergência em várias comunidades autônomas, incluindo Catalunha, Aragão e Navarra, onde escolas foram fechadas e horários de trabalho ajustados para evitar a exposição ao calor extremo. Na França, o serviço meteorológico Météo-France manteve 15 departamentos em alerta laranja, com recomendações para que a população evite atividades ao ar livre entre 12h e 17h.

O impacto da onda de calor não se limita à saúde humana. A agricultura europeia sofre perdas significativas, com colheitas de trigo, milho e uvas sendo severamente afetadas. Na região de Bordeaux, produtores de vinho relataram queimaduras nas folhas das videiras, comprometendo a safra de 2026. Na Espanha, a seca prolongada já reduziu os níveis dos reservatórios para menos de 30% da capacidade, intensificando a crise hídrica em áreas como Andaluzia e Extremadura. O governo espanhol anunciou medidas emergenciais de racionamento de água, enquanto a Comissão Europeia estuda liberar fundos de solidariedade para agricultores afetados.

O episódio reacende o debate sobre as mudanças climáticas e a necessidade de políticas mais ambiciosas de redução de emissões. A Organização Meteorológica Mundial (OMM) já havia alertado que 2026 caminha para ser um dos anos mais quentes já registrados, com ondas de calor cada vez mais frequentes e intensas. Enquanto isso, ativistas ambientais pressionam os governos da França e da Espanha a acelerarem a transição energética, incluindo a ampliação de áreas verdes urbanas e o investimento em infraestrutura resiliente ao calor. A situação, no entanto, expõe as limitações das atuais políticas climáticas europeias, que ainda dependem fortemente de combustíveis fósseis em setores como transporte e agricultura.

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