As divergências entre Michelle Bolsonaro (PL) e os filhos mais velhos do ex-presidente Jair Bolsonaro deixaram de acontecer nos bastidores e passaram a aparecer em episódios públicos ao longo dos últimos meses, especialmente em vídeos na última quarta-feira (24). O pano de fundo são os conflitos, concordâncias e discordâncias em palanques estaduais, que expõem um racha interno no bolsonarismo e no Partido Liberal (PL) às vésperas das eleições de 2026.
O primeiro foco da crise foi a disputa no Ceará: Michelle rompeu com a estratégia defendida por parte do PL, criticou a aliança com Ciro Gomes (PSDB) em defesa da candidatura do senador Eduardo Girão (Novo) ao governo do estado. A reação veio no dia seguinte, quando Flávio Bolsonaro chamou a madrasta de “autoritária”. Dias depois, Michelle publicou um vídeo com uma mensagem sobre perseverar diante de “traições”, interpretada como um recado interno. No dia seguinte, Jair confirmou a escolha de Flávio como candidato da família à presidência.
Aceno e novo conflito em Santa Catarina
Apesar da sequência de atritos, em 17 de janeiro de 2026, o senador fez um aceno a Michelle, ao defender a união da direita. Ele afirmou que a madrasta tinha um “papel importantíssimo” no campo conservador. Em Santa Catarina, no entanto, o conflito se repetiu. Enquanto o PL lançou Carlos Bolsonaro ao Senado, Michelle fez acenos públicos à deputada Carol de Toni, chamando-a de “nossa senadora”. Depois, em entrevista, Michelle afirmou que já havia perdoado Carlos por problemas no passado, mas que não queria conviver com ele. Mais tarde, compartilhou um vídeo de Espiridião Amin, adversário direto de Carlos na disputa estadual.
Embate com Eduardo e escalada pública
O terceiro embate envolveu Eduardo Bolsonaro: depois de ele criticar a falta de apoio de Michelle à candidatura de Flávio, a ex-primeira-dama publicou um vídeo fazendo banana frita. A postagem foi interpretada nos bastidores e nas redes sociais como uma resposta indireta ao enteado, chamado de “bananinha” por adversários, e ampliou a percepção de um racha público dentro da família Bolsonaro. Aliados de Flávio veem Michelle em campanha pelo comando do bolsonarismo, enquanto analistas apontam que a ex-primeira-dama “risca o chão, se apresenta como a Bolsonaro mais leal a Jair e detona Flávio”.
A crise expõe a fragmentação do campo conservador e levanta dúvidas sobre a capacidade de unificação do PL para as eleições de 2026. Enquanto Michelle busca consolidar seu próprio capital político, os filhos de Jair Bolsonaro tentam manter a hegemonia do clã, em meio a disputas regionais que podem enfraquecer a legenda em estados estratégicos como Ceará e Santa Catarina.
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