Henrique Vorcaro, pai do dono do Banco Master, Daniel Vorcaro, enviou uma carta ao ministro do STF (Supremo Tribunal Federal) André Mendonça em que critica a estrutura da prisão onde está, em Minas Gerais, e afirma ter sido detido “por um total e absoluto equívoco”. A correspondência foi divulgada nesta quinta-feira (25) e ocorre no contexto da nova operação da Polícia Federal contra o Banco Master, que já resultou na prisão de vários investigados por suspeita de crimes financeiros e lavagem de dinheiro.
Na carta, Henrique Vorcaro nega qualquer envolvimento com organização criminosa e rejeita a acusação de integrar uma máfia. “Não sou máfia”, escreveu, em tom de defesa pessoal. Ele também questiona as condições do presídio onde está recolhido, classificando-as como inadequadas e desumanas. A defesa do empresário deve protocolar pedido de revogação da prisão preventiva nos próximos dias.
Contexto da operação
A prisão de Henrique Vorcaro ocorreu no âmbito de uma operação deflagrada pela Polícia Federal no último mês, que mirou supostas irregularidades no Banco Master. A instituição financeira, controlada por Daniel Vorcaro, é investigada por movimentações suspeitas que podem envolver evasão de divisas, ocultação de patrimônio e operações não declaradas ao sistema financeiro nacional. Além do pai do banqueiro, outros executivos e intermediários foram alvos de mandados de prisão e busca e apreensão.
A operação representa mais um capítulo da ofensiva do sistema de Justiça contra esquemas financeiros complexos, em um momento em que o país debate o fortalecimento dos mecanismos de combate à lavagem de dinheiro e à corrupção no setor bancário. O caso ganhou repercussão nacional e acendeu alerta sobre a necessidade de maior transparência nas operações de bancos médios e grandes.
Reações e desdobramentos
Até o momento, nem o Banco Master nem Daniel Vorcaro se manifestaram publicamente sobre a carta enviada ao ministro André Mendonça. A defesa de Henrique Vorcaro afirma que a prisão é desproporcional e que não há elementos concretos que justifiquem a custódia. O caso tramita sob sigilo no STF, mas a expectativa é de que o ministro relator analise o pedido de liberdade nos próximos dias.
O episódio ocorre em meio a um cenário político marcado por tensões entre os Poderes, com o STF sendo alvo de críticas de setores do governo e do Congresso por sua atuação em investigações de alto perfil. A carta de Henrique Vorcaro pode ser interpretada como mais um movimento de pressão sobre o Judiciário, em um contexto em que decisões de prisão preventiva têm sido questionadas por suas consequências sociais e econômicas.
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