Brasil envia missão humanitária à Venezuela após terremotos que deixaram mais de 40 mil desaparecidos

O governo brasileiro anunciou, nesta quinta-feira (25), o envio de uma missão humanitária à Venezuela, que será realizada nesta sexta-feira (26) por meio de um avião KC-390 da Força Aérea Brasileira (FAB). A ação ocorre após dois terremotos atingirem o país vizinho na noite de quarta-feira (24), deixando ao menos 164 mortos e um número de desaparecidos que pode ultrapassar 40 mil, segundo autoridades locais. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva confirmou a operação em rede social e informou que conversou por telefone com a presidenta encarregada da Venezuela, Delcy Rodríguez, para alinhar o apoio.

A aeronave partirá do Aeroporto de Guarulhos, em São Paulo, transportando 36 bombeiros dos estados de São Paulo, Minas Gerais e Paraná, além de quatro técnicos da Defesa Civil Nacional e outros quatro da Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel). A carga inclui nove toneladas de equipamentos especializados para busca e resgate urbano, essenciais para localizar vítimas sob os escombros. “Vamos enviar uma missão humanitária de busca e resgate urbano”, escreveu Lula, destacando o caráter emergencial da operação.

O governo brasileiro também programou um segundo voo para o sábado (27), com equipamentos para montagem de um hospital de campanha, 100 purificadores de água com painel solar, medicamentos e material médico para cirurgias. A medida visa atender à crescente demanda por assistência médica e infraestrutura básica nas regiões afetadas, onde os terremotos causaram destruição generalizada e interrupção de serviços essenciais.

Panorama político e solidariedade internacional

A tragédia na Venezuela mobilizou líderes de todo o mundo, que expressaram solidariedade ao país. O Brasil, por meio da Agência Brasileira de Cooperação, já havia colocado equipes de saúde e insumos à disposição do governo venezuelano. A conversa entre Lula e Delcy Rodríguez reforçou o compromisso bilateral, em um momento de tensão política regional. A Venezuela enfrenta uma crise humanitária agravada pelos desastres naturais, e a ajuda brasileira é vista como um gesto de cooperação Sul-Sul, em contraste com as sanções internacionais que limitam o acesso do país a recursos.

O envio da missão ocorre em meio a debates no Congresso brasileiro sobre a política externa e a relação com regimes vizinhos. Enquanto o governo defende a solidariedade humanitária, setores da oposição questionam a transparência na destinação dos recursos. No entanto, a urgência da situação — com mais de 40 mil desaparecidos e infraestrutura colapsada — tem unido vozes em torno da necessidade de apoio imediato. “Seguiremos acompanhando o desenvolvimento dos trabalhos de socorro para prestar todo o apoio necessário aos nossos irmãos venezuelanos”, afirmou Lula, sinalizando que novas remessas podem ser enviadas conforme a evolução dos resgates.

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