Nos últimos seis meses, a relação entre o prefeito de Maceió, João Henrique Caldas (JHC), e o senador Renan Filho (MDB-AL) com o governo federal passou por oscilações significativas, conforme levantamento divulgado pelo Jornal Extra de Alagoas. A análise, baseada em dados de aprovação e alinhamento político, revela movimentos que refletem tanto as dinâmicas locais quanto as estratégias nacionais do Palácio do Planalto.
O estudo, que acompanhou a trajetória dos dois políticos entre os meses de março e agosto de 2024, aponta que JHC, do PL, registrou uma queda de 12 pontos percentuais no índice de aprovação entre eleitores que associam sua gestão ao governo federal, passando de 58% para 46%. Já Renan Filho, que ocupa o cargo de senador e é uma das lideranças do MDB em Alagoas, manteve uma média de 52% de apoio, mas com picos de 61% em maio e recuo para 48% em julho, após divergências públicas sobre a reforma tributária.
Impacto no cenário político alagoano
A oscilação de ambos os nomes ocorre em um contexto de disputa por espaço político no estado, onde as eleições municipais de 2024 e a sucessão estadual de 2026 já começam a moldar alianças. JHC, que busca a reeleição em Maceió, enfrenta críticas da oposição por sua proximidade com o ex-presidente Jair Bolsonaro, enquanto Renan Filho tenta consolidar seu nome como alternativa ao grupo do governador Paulo Dantas (MDB). O levantamento do Jornal Extra de Alagoas destaca que a variação de Renan Filho está ligada a sua atuação no Senado, especialmente em pautas como a regulamentação das apostas esportivas e o novo arcabouço fiscal.
Os dados também mostram que, em junho, JHC teve um pico de 64% de aprovação entre eleitores que consideram sua gestão alinhada ao governo federal, após o anúncio de recursos para obras de drenagem em Maceió. No entanto, em agosto, o índice caiu para 46%, coincidindo com a crise no setor de turismo local e a insatisfação com a segurança pública. Renan Filho, por sua vez, viu seu apoio oscilar após críticas públicas ao ministro da Fazenda, Fernando Haddad, sobre a política de juros, o que gerou reações do Palácio do Planalto.
Panorama nacional e implicações
Especialistas consultados pelo Jornal Extra de Alagoas apontam que as oscilações refletem a complexidade das relações entre os governos estaduais e municipais com o Executivo federal. Em um ano eleitoral, a manutenção de alianças é crucial para o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que busca ampliar sua base no Nordeste. A queda de JHC, por exemplo, pode indicar um desgaste do bolsonarismo na região, enquanto a instabilidade de Renan Filho sugere que o MDB alagoano ainda não definiu seu apoio total ao governo Lula.
O levantamento do Jornal Extra de Alagoas utilizou dados de pesquisas de opinião pública e análises de votações no Congresso, além de entrevistas com líderes partidários. A publicação ressalta que os números podem influenciar as estratégias de campanha para as eleições municipais de outubro, especialmente em Maceió, onde JHC enfrenta o candidato do PT, Ricardo Barbosa, e em outros municípios onde Renan Filho tem influência.
Para o cientista político Carlos Melo, da Universidade Federal de Alagoas, a oscilação de ambos os políticos mostra que o apoio ao governo federal não é estável e depende de fatores locais. “JHC precisa equilibrar sua base bolsonarista com a necessidade de recursos federais, enquanto Renan Filho tenta se manter como ponte entre o MDB e o Planalto, mas sem abrir mão de críticas pontuais”, analisa. O Jornal Extra de Alagoas conclui que os próximos meses serão decisivos para definir o alinhamento definitivo de ambos com o governo Lula.
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