Um motorista embriagado foi preso em flagrante na noite desta quinta-feira (26) em Maceió após provocar um acidente que deixou duas crianças feridas e envolveu a colisão com três veículos. O condutor, que fugiu do local logo após o ocorrido, foi localizado pela Polícia Militar (PM) e apresentava claros sinais de embriaguez, segundo o boletim de ocorrência. O caso, registrado no bairro do Tabuleiro do Martins, escancara os desafios crônicos na segurança viária da capital alagoana, onde a combinação de álcool e direção segue sendo uma das principais causas de acidentes graves.
De acordo com informações da PM, o acidente aconteceu por volta das 20h, quando o motorista, que não teve o nome divulgado, perdeu o controle do veículo e atingiu três carros que estavam estacionados ou em movimento na via. Com o impacto, duas crianças que estavam em um dos automóveis sofreram ferimentos leves e foram encaminhadas para uma unidade de saúde da região. O condutor fugiu do local a pé, mas foi capturado por equipes da PM após uma breve perseguição. No momento da abordagem, os policiais constataram que o homem apresentava forte odor de álcool, olhos vermelhos e dificuldade para falar, características típicas de embriaguez.
Panorama da Segurança Viária em Maceió
O incidente ocorre em meio a um cenário preocupante para a segurança no trânsito de Maceió. Dados do Departamento Estadual de Trânsito de Alagoas (Detran-AL) indicam que, somente nos primeiros seis meses de 2025, foram registrados mais de 1.200 acidentes de trânsito na capital, dos quais cerca de 15% envolveram motoristas sob efeito de álcool. A situação é agravada pela falta de fiscalização efetiva em horários de pico e pela impunidade que ainda cerca muitos casos de embriaguez ao volante. Especialistas apontam que a ausência de blitze regulares e a lentidão no julgamento de processos judiciais contribuem para a reincidência de infrações graves.
O caso desta quinta-feira também reacende o debate sobre a necessidade de políticas públicas mais rigorosas para coibir a combinação de álcool e direção. Em Alagoas, a Lei Seca (Lei 12.760/2012) prevê multa de R$ 2.934,70 e suspensão da carteira de habilitação por 12 meses para quem for flagrado dirigindo sob efeito de álcool, mas a aplicação da lei ainda enfrenta desafios operacionais. A Prefeitura de Maceió, por meio da Superintendência Municipal de Transportes e Trânsito (SMTT), anunciou recentemente a ampliação de campanhas educativas, mas críticos apontam que as ações são insuficientes diante da gravidade dos números.
Impacto Social e Reações
O acidente gerou comoção entre moradores do Tabuleiro do Martins, que relataram à reportagem que a via onde ocorreu a colisão é conhecida pela alta velocidade de veículos e pela falta de sinalização adequada. “Aqui é um perigo constante. As crianças brincam na calçada e os carros passam em alta velocidade. Precisamos de mais fiscalização e de redutores de velocidade”, afirmou Maria Aparecida, moradora da região há 15 anos. As duas crianças feridas, de 4 e 7 anos, foram atendidas no Hospital Geral do Estado (HGE) e, segundo boletim médico divulgado na manhã desta sexta-feira (27), passam bem e devem receber alta nos próximos dias.
O motorista preso foi encaminhado à Central de Flagrantes de Maceió, onde permanece à disposição da Justiça. Ele responderá por lesão corporal culposa na direção de veículo automotor, embriaguez ao volante e fuga do local do acidente, crimes que, somados, podem resultar em penas de até 5 anos de reclusão, além de multas e suspensão da habilitação. A Polícia Civil informou que investiga se o condutor já possuía antecedentes por infrações de trânsito.
O episódio reforça a urgência de medidas integradas entre os poderes público e a sociedade civil para enfrentar a violência no trânsito. Enquanto isso, a capital alagoana segue convivendo com o dilema de uma mobilidade urbana que coloca em risco a vida de pedestres e motoristas, especialmente os mais vulneráveis, como as crianças. A expectativa é que o caso sirva de alerta para que as autoridades intensifiquem a fiscalização e promovam ações educativas mais eficazes, evitando que tragédias como essa se repitam.
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