O deputado estadual Alcides Fernandes (PL) classificou como ‘infeliz’ o vídeo publicado pela ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro na última quarta-feira (24), no qual ela afirma ter sido maltratada e humilhada por Flávio Bolsonaro e critica a aliança política em curso no Ceará. Em pronunciamento na sexta-feira (26), o parlamentar rebateu as acusações de que o acordo com o grupo de Ciro Gomes teria sido feito ‘pelas costas’ do ex-presidente Jair Bolsonaro, revelando que o próprio Bolsonaro autorizou o apoio ainda no primeiro turno das eleições municipais de 2024 em Fortaleza.
Segundo Alcides, em reunião coletiva da bancada do PL em 29 de maio de 2025, o ex-presidente teria dado aval para que André Fernandes buscasse o apoio de Roberto Cláudio e do grupo de Ciro Gomes. Na mesma ocasião, Bolsonaro teria escolhido o nome de Alcides para disputar o Senado. ‘Dizer que isso foi feito pelas costas do presidente Jair Bolsonaro é faltar com a verdade que é pública’, declarou o deputado, enfatizando que a aliança foi discutida abertamente.
O vídeo de Michelle, que dura quase 30 minutos, foi descrito por Alcides como uma demonstração de ‘completa ignorância a respeito do que é o Ceará’. Ele destacou que, nas eleições de 2022, o PT venceu para o governo estadual ainda no primeiro turno e que Lula foi vitorioso em todos os 184 municípios cearenses. ‘Infelizmente, a direita sozinha ainda não possui a força necessária para derrotar o PT’, afirmou, alertando que a fragmentação da oposição é o que garante a permanência do atual grupo político no poder.
O deputado federal André Fernandes (PL), filho de Alcides, também se manifestou sobre o caso. Em publicação nas redes sociais, ele disse que o grupo está sendo atacado há mais de um ano e que o vídeo do pai é uma defesa contra ‘ataques injustos e infundados’. ‘Deixo aqui a minha solidariedade a todos os parlamentares do PL no Ceará’, escreveu André, reforçando que a postagem não tem intuito de briga, mas de esclarecimento.
Alcides também revelou detalhes de bastidores de uma reunião ocorrida em 14 de abril, com a presença de Michelle e dirigentes do PL. Segundo ele, a ex-primeira-dama teria condicionado a aceitação da aliança com Ciro Gomes à indicação de um nome de sua preferência para a vaga ao Senado na chapa. A informação expõe as tensões internas no partido, que busca consolidar uma estratégia para derrotar o PT no estado.
O episódio reflete o complexo cenário político cearense, onde a direita tenta se unir em torno de alianças pragmáticas para enfrentar a hegemonia petista. Enquanto Michelle Bolsonaro defende que acordos só sejam feitos em eventual segundo turno, lideranças locais como Alcides e André Fernandes argumentam que a realidade eleitoral exige articulação antecipada. A disputa interna no PL expõe as dificuldades de conciliar interesses nacionais e regionais em um estado onde o PT venceu de forma avassaladora em 2022.
Fonte: ver noticia original

