O Ministério Público de Goiás propôs uma ação civil pública contra o pré-candidato do PSD à Presidência, Ronaldo Caiado, pelo que considera emprego excessivo de policiais militares do estado como seguranças particulares dele e de seus familiares. Segundo o órgão, a conduta configura ato de improbidade administrativa, com indícios de enriquecimento ilícito e lesão ao erário estadual. A ação foi protocolada nesta quinta-feira (27) e pede o ressarcimento dos gastos públicos com os deslocamentos e a proibição do uso continuado dos agentes para fins privados.
De acordo com a investigação do MP, entre janeiro de 2023 e maio de 2026, ao menos 15 policiais militares foram destacados exclusivamente para a segurança pessoal do governador e de seus parentes, em viagens particulares e eventos não oficiais. O levantamento aponta que os custos com diárias, combustível e horas extras ultrapassam R$ 2,3 milhões, valores que, segundo a promotoria, deveriam ser ressarcidos aos cofres públicos. A ação também menciona que a prática ocorre de forma sistemática, sem justificativa de risco excepcional que autorizasse o uso da força estadual para fins privados.
O caso ganha relevância no cenário político nacional, já que Ronaldo Caiado é um dos nomes cotados para a sucessão presidencial em 2026, com forte base no centro-direita. A ação do MP goiano ocorre em meio a um debate mais amplo sobre o uso de recursos públicos por agentes políticos em campanhas eleitorais. Nos últimos meses, outros estados também registraram denúncias semelhantes contra governadores e prefeitos, o que levanta questionamentos sobre os limites entre segurança institucional e privilégio pessoal.
O Ministério Público destaca que a Constituição Federal e a Lei de Improbidade Administrativa vedam o uso de bens e servidores públicos para benefício particular. A ação pede ainda a indisponibilidade de bens do governador para garantir eventual ressarcimento, além de multa civil. A defesa de Ronaldo Caiado, procurada pela reportagem, afirmou que a segurança do chefe do Executivo é prevista em lei e que todos os deslocamentos foram realizados dentro da legalidade, com autorização da Secretaria de Segurança Pública. O caso será julgado pela 3ª Vara da Fazenda Pública de Goiânia.
Especialistas ouvidos pela reportagem avaliam que a ação pode ter impacto direto na candidatura de Caiado, que tenta se consolidar como alternativa ao atual governo federal. A decisão judicial, se desfavorável, poderá gerar inelegibilidade com base na Lei da Ficha Limpa, caso haja condenação por improbidade. O cenário acirra a disputa no PSD, que também conta com outros pré-candidatos, e coloca em xeque a narrativa de austeridade fiscal defendida pelo governador.
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