A Polícia Federal (PF) indiciou o diretor-geral da Agência Nacional de Mineração (ANM), Mauro Sousa, por suspeita de integrar uma associação criminosa voltada à exploração ilegal de minério de ferro na Serra do Curral, em Minas Gerais. O indiciamento foi divulgado nesta quinta-feira (27) e representa um desdobramento significativo das investigações sobre crimes ambientais e administrativos na região, que é considerada patrimônio natural e cultural do estado.
De acordo com a PF, as apurações indicam que o esquema envolvia a atuação de servidores públicos e empresários do setor minerário, com o objetivo de burlar a fiscalização e viabilizar a extração irregular do minério. A Serra do Curral, que abriga importantes reservas de ferro, é alvo constante de disputas judiciais e operações de combate à mineração ilegal, que causam danos ao meio ambiente e à comunidade local.
O indiciamento de Mauro Sousa ocorre em um contexto de pressão sobre a ANM, que tem sido criticada por suposta leniência na regulação e no monitoramento das atividades minerárias no país. A agência, responsável por conceder licenças e fiscalizar a exploração mineral, enfrenta questionamentos sobre sua capacidade de coibir práticas ilegais, especialmente em áreas sensíveis como a Serra do Curral.
A investigação, conduzida pela PF em conjunto com o Ministério Público Federal (MPF), aponta que a associação criminosa teria atuado de forma sistemática para garantir a continuidade da exploração ilegal, mesmo diante de embargos e decisões judiciais contrárias. O caso ganha relevância em meio ao debate sobre a reforma do setor mineral e a necessidade de maior transparência e rigor na fiscalização.
O indiciamento de Mauro Sousa não implica, por enquanto, em condenação, mas reforça a gravidade das suspeitas. A ANM, em nota, informou que colabora com as investigações e que adotará as medidas cabíveis. O caso segue sob análise da Justiça Federal, que decidirá sobre o eventual afastamento do diretor-geral e a continuidade das apurações.
Para especialistas, o episódio expõe fragilidades no sistema de controle da mineração no Brasil, que carece de recursos e independência para fiscalizar um setor que movimenta bilhões de reais anualmente. A situação também acende alerta para a preservação da Serra do Curral, que, além de seu valor ecológico, é símbolo da identidade mineira e alvo de disputas históricas entre mineradoras e movimentos ambientalistas.
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