Fila do INSS atinge menor patamar desde 2024 e nova presidente projeta redução gradual nos próximos meses

A fila do INSS (Instituto Nacional do Seguro Social) caiu pelo quarto mês seguido e chegou nesta quinta-feira (25) a 1,9 milhão de pedidos, segundo antecipou à Folha a nova presidente do órgão, Ana Cristina Silveira. Esse é o mais baixo patamar desde outubro de 2024, representando uma redução de 12% em relação ao mês anterior e de 38% no acumulado do ano.

A queda expressiva reflete uma combinação de fatores estruturais e conjunturais. De um lado, a digitalização de serviços — como a implantação do Meu INSS automatizado e a análise remota de documentos — acelerou a concessão de benefícios. De outro, a força-tarefa de servidores em regime de mutirão, iniciada em março, já analisou mais de 800 mil processos represados. Ana Cristina Silveira afirmou que a tendência é de redução gradual nos próximos meses, mas alertou que o ritmo depende da estabilidade orçamentária e da reposição de quadros.

Panorama político e impacto social

A redução da fila ocorre em meio a um cenário de pressão sobre o sistema previdenciário. O governo federal, que enfrenta críticas da oposição por atrasos históricos, busca capitalizar politicamente o resultado. Dados do Ministério da Previdência Social indicam que o tempo médio de espera caiu de 67 para 43 dias entre janeiro e junho, mas ainda supera a meta legal de 30 dias. A situação é mais crítica em regiões Norte e Nordeste, onde a carência de agências e servidores é maior.

Especialistas apontam que a fila esconde um problema mais profundo: a subnotificação de pedidos e a rejeição de requerimentos por falta de documentação. Segundo o Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), cerca de 35% dos processos indeferidos poderiam ser aprovados com orientação adequada. A nova gestão do INSS promete ampliar o atendimento presencial em comunidades rurais e periferias urbanas.

No Congresso, o tema é sensível. A Comissão de Seguridade Social da Câmara aprovou requerimento de audiência pública para discutir a eficiência do órgão. Já o Senado analisa projeto que obriga o INSS a divulgar mensalmente o estoque de pedidos por tipo de benefício e região. A pressão política deve aumentar com a proximidade das eleições de 2026, quando a previdência tende a se tornar tema central de campanha.

Para além dos números, a redução da fila representa alívio imediato para milhões de brasileiros que dependem de benefícios como aposentadoria, pensão por morte e auxílio-doença. A Confederação Nacional dos Trabalhadores na Agricultura (Contag) celebrou a queda, mas cobrou celeridade na análise de pedidos de trabalhadores rurais, que historicamente enfrentam maior burocracia.

O governo federal projeta zerar o estoque de pedidos até o fim de 2027, mas reconhece que o desafio é enorme. A cada mês, cerca de 1,2 milhão de novos requerimentos entram no sistema, o que exige capacidade de processamento contínuo. A nova presidente do INSS, Ana Cristina Silveira, defendeu a manutenção do investimento em tecnologia e a contratação de mais servidores por concurso público como pilares para sustentar a melhora.

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