O senador e pré-candidato à Presidência da República Flávio Bolsonaro (PL-RJ) afirmou neste domingo (28) que considera superado o desentendimento público com a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro. Durante compromisso em Goiás, ele disse que, de sua parte, o episódio é “página virada” e defendeu que o grupo volte a concentrar esforços na disputa eleitoral de 2026. A declaração foi registrada pela reportagem da Folha de Alagoas, que publicou originalmente a informação.
A fala de Flávio Bolsonaro ocorre em um momento de tensão interna no PL, legenda que busca consolidar uma candidatura única para o Palácio do Planalto. O racha público entre o senador e Michelle Bolsonaro expôs divergências estratégicas sobre o rumo da pré-campanha, especialmente em relação ao eleitorado feminino e evangélico, bases que a ex-primeira-dama ajudou a construir durante o governo de Jair Bolsonaro.
Panorama político e impacto na sucessão presidencial
A crise no clã Bolsonaro ocorre em um cenário de fragmentação da direita e de articulações para 2026. Enquanto Flávio Bolsonaro tenta se firmar como herdeiro político do ex-presidente, Michelle Bolsonaro surge como uma alternativa para ampliar o diálogo com setores moderados e religiosos. O desentendimento público, que envolveu críticas veladas à condução da pré-campanha, gerou apreensão entre aliados, que temem que a disputa interna enfraqueça a oposição ao governo federal.
A declaração de “página virada” busca conter os danos e sinalizar unidade, mas analistas apontam que o episódio revela a dificuldade do PL em equilibrar os diferentes projetos políticos dentro da legenda. Enquanto isso, o governo Lula acompanha o desenrolar da crise com atenção, avaliando o impacto na polarização e nas negociações para a sucessão presidencial.
Para especialistas, a recomposição entre Flávio Bolsonaro e Michelle Bolsonaro é crucial para a viabilidade de uma candidatura única da direita em 2026. Caso a trégua se consolide, o partido poderá concentrar esforços em pautas como segurança pública, economia e críticas ao STF, temas que têm mobilizado a base conservadora. A ausência de um nome unificado, por outro lado, pode abrir espaço para dissidências e fortalecer candidaturas de centro-direita.
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