Uma tragédia marcou o fim de semana no norte do Tocantins: a estudante de fisioterapia Ana Luísa Lemes, de 19 anos, morreu após o barco em que estava ser atingido por uma moto aquática pilotada por Jairam Martins da Costa, de 47 anos, na Praia de Araguanã, no Rio Araguaia. O acidente ocorreu na noite de sábado (27), quando a jovem, que havia saído do trabalho e ido ao local com amigas, planejava voltar para casa ainda na mesma noite, conforme relatou o irmão Lucas Felipe Lemes. O condutor da moto aquática fugiu sem prestar socorro, mas foi localizado e preso pela Polícia Militar (PM) no mesmo dia. O caso, que chocou a região, levanta questões sobre a segurança na navegação e a fiscalização de embarcações em áreas de lazer.
De acordo com a investigação preliminar da Polícia Civil, a moto aquática estava em alta velocidade no momento da colisão. O relatório policial aponta que Jairam Martins da Costa apresentava sinais visíveis de embriaguez, como forte odor etílico, olhos avermelhados e dificuldade para falar e caminhar. A Polícia Militar e a Secretaria da Segurança Pública (SSP) confirmaram que o acidente ocorreu à noite, período em que a navegação desse tipo de veículo aquático é proibida. O suspeito foi autuado por homicídio doloso e por conduzir embarcação sem habilitação em águas públicas. Até a última atualização desta reportagem, o g1 não conseguiu contato com a defesa de Jairam.
Uma vida interrompida
Ana Luísa Lemes, natural de Muricilândia, havia se mudado recentemente para Araguaína para cursar fisioterapia na Unopar Anhanguera. Em nota, a universidade lamentou a morte da aluna: “Com profundo pesar, nos despedimos de nossa querida acadêmica do curso de Fisioterapia. Sua presença, seu sorriso e sua trajetória permanecerão vivos na lembrança de todos que tiveram o privilégio de conhecê-la. Neste momento de dor, expressamos nossas mais sinceras condolências à família e aos amigos”. O irmão Lucas descreveu a jovem como “uma menina muito companheira, disposta, ajudava todo mundo, gostava de criança, amava a cachorrinha dela”. A família, que mora em Muricilândia, agora enfrenta o luto e a busca por justiça.
Panorama político e social
O acidente expõe a fragilidade da fiscalização de embarcações em praias fluviais do Tocantins, especialmente durante a temporada de verão, quando o fluxo de turistas e veículos aquáticos aumenta. A proibição de navegação noturna para motos aquáticas, prevista em legislação estadual, é frequentemente desrespeitada, e a falta de agentes de fiscalização em pontos críticos como Araguanã agrava o risco. Organizações de segurança pública e ambientalistas têm cobrado ações mais efetivas do governo estadual, incluindo a instalação de postos fixos da Marinha e da Polícia Ambiental em áreas de grande circulação. O caso de Ana Luísa pode impulsionar debates na Assembleia Legislativa do Tocantins sobre endurecimento de penas para condutores embriagados em embarcações e ampliação de campanhas educativas. A sociedade civil, por sua vez, clama por justiça e por medidas que evitem novas tragédias.
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