A virtual presidente eleita do Peru, Keiko Fujimori, afirmou nesta segunda-feira (29) estar “mais perto de iniciar um caminho de ordem e esperança” em sua primeira manifestação após o fim da apuração dos votos do segundo turno das eleições presidenciais. Em postagem na rede social X, ela declarou esperar a proclamação do resultado oficial “com humildade, prudência e responsabilidade”. A declaração ocorre em um cenário de forte polarização no país, com apenas 49.641 votos separando a candidata de direita de seu adversário, o deputado de esquerda Roberto Sánchez.
Segundo a Oficina Nacional de Processos Eleitorais (ONPE), com 100% das urnas apuradas, Fujimori obteve 9.223.396 votos (50,135%), contra 9.137.755 votos (49,865%) de Sánchez. A diferença de 0,27% dos votos válidos reflete a divisão profunda do eleitorado peruano. Apesar da vantagem numérica, a oficialização da vitória ainda depende da proclamação do Jurado Nacional Eleitoral (JNE), órgão máximo das eleições no país, que deve ocorrer até a próxima sexta-feira (3). A pendência envolve a resolução de observações em algumas regiões pelos Jurados Especiais Eleitorais (JEE).
O processo eleitoral foi marcado por tensão e desconfiança. Sánchez, que obteve 49,865% dos votos, indicou que não aceitaria os resultados e convocou protestos na semana passada. A imprensa peruana, no entanto, aponta que Fujimori, filha do ex-ditador Alberto Fujimori, deve ser declarada a nova presidente do país. Ela substituirá o atual presidente, José María Balcázar Zelada, de esquerda, que assumiu o poder de forma interina há apenas quatro meses. Balcázar Zelada, por sua vez, substituiu o ex-presidente José Jeri, que também ficou no cargo por apenas quatro meses e foi destituído pelo Congresso por má conduta, após vir à tona sua participação em reuniões controversas.
Em discurso na última quarta-feira (24), quando já havia alcançado vantagem irreversível na apuração, Fujimori reconheceu a divisão do país: “Estamos cientes de que o Peru está dividido, de que está praticamente partido ao meio”, disse a repórteres em Lima. Ela prometeu voltar a unir o país, em meio a um cenário de instabilidade política que já levou à troca de três presidentes nos últimos anos. A transição ocorre em um contexto de crise de governabilidade, com o Congresso fragmentado e a população dividida entre projetos políticos antagônicos.
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