Vinte e cinco animais em situação de maus-tratos foram resgatados em uma casa no bairro Lagoa do Mato, em Mossoró, na Região Oeste do Rio Grande do Norte, na quinta-feira (2). O grupo era formado por 14 cães e 11 gatos de raça, que eram utilizados para reprodução e venda clandestina na internet, conforme informações do Centro de Controle de Zoonoses e de instituições de proteção animal que participaram da operação.
A ação ocorreu após denúncias anônimas recebidas pelo Centro de Controle de Zoonoses, que contou com o apoio de organizações de defesa animal e autoridades de segurança. De acordo com os relatos das entidades envolvidas, o imóvel apresentava condições precárias de higiene, com acúmulo de lixo e presença de insetos, configurando um ambiente inadequado para a permanência dos animais.
A maioria dos cães e gatos apresentava problemas de saúde, especialmente doenças de pele, e passou por uma avaliação inicial ainda no local. Renata Praxedes, ativista de causa animal e responsável por uma instituição que recebeu a maioria dos animais, detalhou o estado crítico dos resgatados: “Temos três [cadelas] fêmeas prenhas, com bastante problema de pele. Os Shih Tzu com problema de pele, tem um também com problema ocular, que deve ter cegueira”. Ela completou que “todos os gatos estão doentes, nenhum está saudável. Eles espirram. Tinha um gato com bastante pelo embolado, então nós tivemos que passar a máquina no zero, tosar um gato, que não é comum. Estão com diarreia, diarreia sanguinolenta, eles têm muita secreção nos olhos também”.
Um casal, que estava na residência no momento do resgate, vai responder pelo crime de maus-tratos contra animais, mas não foi preso. A legislação brasileira estabelece que maus-tratos contra cães e gatos é crime punido com reclusão de dois a cinco anos, além de multa e proibição da guarda. O caso reforça a necessidade de fiscalização e punição para coibir práticas de exploração animal, especialmente em um contexto onde a venda clandestina de filhotes pela internet tem se tornado recorrente.
Animais passam por tratamento e serão disponibilizados para adoção
Dois gatos, segundo a ativista, estão internados, sendo um deles um que era usado como reprodutor. Um cachorro da raça shar-pei, o maior animal entre os que estavam na residência, também foi internado. Renata Praxedes informou que os animais foram encaminhados para abrigos em Mossoró, onde recebem cuidados veterinários. Após a recuperação clínica, eles serão disponibilizados para adoção. “Inicialmente todos os exames serão feitos. Nós estamos pedindo a colaboração da população porque nunca fizemos um resgate assim. Aqui na instituição do Refúgio Caramelo nós temos 19. E nós temos esses custos, principalmente com a internação e com urgências que acontecem”, declarou.
As entidades de proteção animal orientam a população a não incentivar o comércio irregular de filhotes e a denunciar casos suspeitos de forma anônima aos órgãos competentes. O caso de Mossoró se soma a outros episódios recentes de maus-tratos em larga escala no país, como a investigação da Polícia Civil sobre 400 gatos mantidos em condições insalubres em um apartamento no Oeste de Santa Catarina, evidenciando um padrão preocupante de acumulação e exploração animal que exige ações coordenadas entre autoridades e sociedade civil.
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