Um crime brutal abalou a pequena cidade de Capixaba, no interior do Acre, no dia 13 de junho. Talisson da Silva Santana, de 28 anos, foi indiciado pela Polícia Civil por homicídio qualificado contra o sobrinho Raylan Lima de Freitas, de 18 anos, morto a golpes de canivete. A vítima, que tinha deficiência intelectual com laudo comprobatório, foi atingida ao tentar intervir em uma agressão que o suspeito cometia contra a própria esposa, tia de Raylan. O caso, que expõe a fragilidade das relações familiares e a violência doméstica no interior do estado, teve o inquérito enviado à Justiça nesta segunda-feira (29), conforme confirmou o delegado Aldízio Neto da Silva.
Segundo a investigação, no dia do crime, Talisson e a esposa, de 37 anos, assistiam ao jogo da Seleção Brasileira contra Marrocos em um bar da região. Durante a partida, houve um desentendimento entre o suspeito e outros homens, o que levou o casal a decidir voltar para casa. No trajeto pelo Ramal do Barriga, zona rural de Capixaba, Talisson começou a discutir e, em seguida, agrediu a mulher com socos e chutes, causando lesões e hematomas no rosto, escoriações no joelho e arrancando tufos de cabelo. O casal estava junto há quatro anos.
As agressões continuaram na residência da família, quando o filho da mulher, um adolescente de 17 anos, interveio e entrou em luta corporal com Talisson. Os primos da mulher também ouviram os gritos e foram ajudar. Foi nesse contexto de confusão que Raylan, que não tinha noção de espaço nem de tempo devido à sua deficiência, ouviu o barulho e se aproximou, sendo covardemente morto a golpes de canivete. O delegado Aldízio Neto da Silva destacou que a vítima não participou de nenhuma briga e foi morta de forma covarde.
A briga entre Talisson e o enteado só parou quando o pai e o irmão de Raylan conseguiram conter o suspeito. A Polícia Civil foi acionada e prendeu Talisson em flagrante no mesmo dia. Ele segue preso no Complexo Prisional de Rio Branco desde então. Durante o interrogatório, o suspeito negou todos os fatos, mas as evidências colhidas no local e os depoimentos das testemunhas levaram ao indiciamento por homicídio qualificado.
Violência doméstica e familiar no Acre
O caso expõe uma realidade alarmante no estado do Acre, que registra altos índices de violência doméstica. Dados da Secretaria de Segurança Pública apontam que, somente em 2025, foram registrados mais de 3 mil casos de agressão contra mulheres, muitos deles envolvendo familiares. A situação se agrava em áreas rurais, como Capixaba, onde o acesso a serviços de proteção é limitado. O crime também levanta discussões sobre a vulnerabilidade de pessoas com deficiência, que muitas vezes são alvos fáceis em contextos de violência.
O delegado Aldízio Neto da Silva ressaltou que a vítima tinha deficiência intelectual comprovada por laudo e que não tinha capacidade de entender o perigo da situação. “Ele só ouviu o barulho e se aproximou”, afirmou. A defesa de Talisson ainda não se manifestou formalmente, pois o caso está em fase de inquérito. A abertura de ação penal deve ocorrer nos próximos dias, quando o investigado poderá contratar um advogado particular ou recorrer à Defensoria Pública.
O crime gerou comoção na pequena comunidade de Capixaba, que tem cerca de 6 mil habitantes. Moradores locais relataram que Talisson era conhecido por ter um temperamento violento e que a esposa já havia sofrido agressões anteriores. A família de Raylan, por sua vez, pede justiça e que o caso sirva de alerta para a necessidade de políticas públicas de proteção às mulheres e pessoas com deficiência no interior do estado.
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