Crise migratória: Roraima resgata 189 cubanos em quatro dias, superando total dos dois últimos anos

Em apenas quatro dias, Roraima resgatou 189 cubanos que entraram no Brasil por rotas operadas por coiotes, número que supera o total de migrantes encontrados em 2024 e 2025 juntos, segundo levantamento prévio da Polícia Rodoviária Federal (PRF). As operações, realizadas entre os dias 8 e 11 de junho de 2026, envolveram a PRF, a Polícia Militar e o Exército, e ocorreram na BR-401, rodovia que liga o estado à Guiana e se tornou uma das principais portas de entrada para cubanos que buscam chegar ao território brasileiro. O crescimento expressivo dos resgates acompanha a estatística divulgada pelo Ministério da Justiça, que aponta que, pela primeira vez em uma década, os pedidos de refúgio feitos por cubanos em Roraima superaram os de venezuelanos.

O maior resgate ocorreu no dia 8 de junho, quando a PRF encontrou 108 cubanos caminhando na Ponte dos Macuxis, próximo à capital Boa Vista. Entre eles estava o mecânico Thomas Joel Franco, que fugiu de Cuba no fim de maio devido à grave crise econômica e social no país. “Há pouca comida. São 40h ou 45h sem luz. Não há água, não há gás”, relatou Thomas, que também citou o desemprego como principal motivo para recorrer ao Brasil. Ele pagou US$ 60 (equivalente a R$ 300) para atravessar de Bonfim a Boa Vista, mas os coiotes abandonaram o grupo antes da área de fiscalização. “Estava há cinco dias sem dormir e sem comer nada. Tomava muito pouca água e comia bolacha para conseguir seguir caminhando, passando por poças d’água, rios e todo tipo de lugar. A polícia nos encontrou, nos tratou bem e nos deu água e café”, explicou.

No dia seguinte ao resgate dos 108 cubanos, o Exército encontrou outros 38 migrantes em travessia na ponte dos Macuxi. Dois dias depois, a Polícia Militar e a PRF localizaram mais 43 cubanos que faziam o mesmo trajeto na madrugada. Em 2026, a PRF já resgatou 225 cubanos vítimas de coiotes em Roraima. A Polícia Federal investiga grupos criminosos que operam na rota migratória, que parte da Guiana e entra no Brasil pelo município de Bonfim, ao Norte de Roraima.

Panorama político e migratório

O aumento dos resgates reflete uma crise migratória mais ampla na região, impulsionada pela deterioração das condições em Cuba, que enfrenta uma das piores crises da história recente, com escassez de alimentos, energia e emprego. A rota por Roraima, antes dominada por venezuelanos, agora atrai um fluxo crescente de cubanos, que buscam refúgio no Brasil. A superação dos pedidos de refúgio de cubanos em relação aos venezuelanos, registrada pelo Ministério da Justiça, sinaliza uma mudança no perfil migratório no estado, que historicamente recebia mais venezuelanos. As operações de resgate, coordenadas por forças de segurança federais e estaduais, destacam a necessidade de políticas públicas para lidar com o aumento do fluxo e combater o crime organizado que explora migrantes vulneráveis.

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