A Polícia Civil de Alagoas prendeu, nesta quinta-feira (26), o quarto suspeito de envolvimento no homicídio seguido de esquartejamento de Jailson, ocorrido em Passo de Camaragibe, no litoral norte do estado. A investigação aponta que a vítima foi submetida a um chamado ‘tribunal do crime’, prática comum em facções criminosas, antes de ser morta e ter o corpo desmembrado. Com a nova prisão, quatro pessoas já estão detidas por decisão da Justiça, em um caso que chocou a população local e acendeu alerta sobre a escalada da violência na região.
De acordo com o delegado responsável pelo caso, Carlos Mendes, o quarto suspeito foi localizado em um sítio na zona rural do município vizinho, Porto Calvo, após trabalho de inteligência e monitoramento. O nome do preso não foi divulgado para não atrapalhar as investigações, mas a polícia confirmou que ele já possuía passagens por tráfico de drogas e associação criminosa. A prisão ocorreu em cumprimento a um mandado expedido pela Vara Criminal de Passo de Camaragibe, que também decretou a prisão preventiva dos outros três envolvidos, detidos nas últimas duas semanas.
Detalhes do crime e da investigação
O corpo de Jailson foi encontrado no dia 15 de junho, em uma área de mata próxima à Rodovia AL-101 Norte, com sinais de violência extrema e esquartejamento. A perícia inicial apontou que a vítima foi morta por asfixia mecânica e, em seguida, teve o corpo desmembrado com instrumentos cortantes. A motivação, segundo a polícia, está ligada a disputas internas de uma facção criminosa que atua na região. O ‘tribunal do crime’ é um mecanismo usado por esses grupos para julgar e punir membros que descumprem regras, como dívidas de drogas ou suspeitas de delação.
As investigações revelaram que Jailson era apontado como integrante de baixo escalão da facção e teria sido acusado de roubar cargas de entorpecentes. O julgamento ocorreu em uma casa abandonada no bairro Centro, em Passo de Camaragibe, com a presença de pelo menos seis pessoas. Após a condenação, a vítima foi executada e o corpo esquartejado para dificultar a identificação. A polícia apreendeu, na casa de um dos suspeitos, uma serra elétrica e facas que podem ter sido usadas no crime, além de porções de maconha e cocaína.
Panorama político e social
O caso ocorre em um momento de tensão no estado de Alagoas, que registrou um aumento de 12% nos homicídios no primeiro semestre de 2026, segundo dados da Secretaria de Segurança Pública. Passo de Camaragibe, cidade com cerca de 15 mil habitantes, tem sido palco de disputas entre facções rivais pelo controle do tráfico de drogas na região litorânea. A prefeitura local, em nota, manifestou solidariedade à família da vítima e cobrou ações mais efetivas do governo estadual para conter a violência.
O governador de Alagoas, Paulo Dantas, anunciou na última semana um pacote de medidas de segurança, incluindo a ampliação do efetivo policial no interior e a criação de uma delegacia especializada em homicídios com esquartejamento. No entanto, críticos apontam que as ações são reativas e insuficientes para desmantelar as organizações criminosas. O deputado estadual Antonio Albuquerque (PSDB) classificou o crime como ‘bárbaro’ e pediu a instalação de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) para investigar a atuação de facções no estado.
A prisão do quarto suspeito representa um avanço nas investigações, mas a polícia não descarta a existência de outros envolvidos. O delegado Carlos Mendes afirmou que as buscas continuam para localizar mais dois foragidos, identificados por meio de imagens de câmeras de segurança e depoimentos de testemunhas. A Justiça de Alagoas mantém sigilo sobre os nomes dos detidos, mas o Ministério Público já ofereceu denúncia por homicídio qualificado, ocultação de cadáver e organização criminosa.
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