Dois brasileiros e um estrangeiro foram sequestrados por uma quadrilha armada após atravessarem a fronteira entre Brasil e Paraguai para fazer compras em Cidade do Leste. As vítimas, que se conheceram no cativeiro, foram mantidas sob vigilância por cerca de 19 horas, período em que sofreram ameaças, agressões físicas e tortura psicológica enquanto eram obrigadas a realizar empréstimos e transferências bancárias. O prejuízo estimado é de quase R$ 740 mil, segundo relatos registrados em boletins de ocorrência no Brasil e na polícia paraguaia.
De acordo com os depoimentos, os criminosos agiram de forma coordenada: mototaxistas desviavam o trajeto das vítimas e as levavam para áreas de mata, onde eram cercadas por grupos armados. Um dos brasileiros, morador da Bahia, contou que estava hospedado em um hotel de Foz do Iguaçu e atravessou a Ponte da Amizade para comprar uma mala. Após contratar um mototáxi, percebeu que o motorista desviou o caminho. “Ele começou a entrar em ruas à direita, fazendo várias curvas. Foi aí que pensei: ‘Esse negócio está errado’. Quando a moto parou, umas oito ou dez pessoas saíram da mata. Me arrastaram, tiraram meus pertences e me levaram para uma parte mais interna, onde funcionava um cativeiro”, relatou.
O segundo brasileiro viveu situação semelhante. Segundo ele, o motociclista alterou a rota e o levou para um local isolado, onde foi cercado por cerca de dez homens. “Quando notei que estávamos seguindo por outra rota, a motocicleta já estava em alta velocidade. Depois de alguns minutos, fui cercado, arrastado pela margem de um rio e levado para um cativeiro”, afirmou. Os três turistas se encontraram no cativeiro, onde permaneceram sob vigilância armada. Além do dinheiro obtido por meio das movimentações bancárias, os criminosos roubaram celulares, relógios, documentos, dinheiro em espécie e outros pertences.
O caso expõe a vulnerabilidade de turistas que cruzam a fronteira para fazer compras em Cidade do Leste, cidade paraguaia que atrai brasileiros em busca de produtos mais baratos e, recentemente, também estudantes de medicina. A região da Tríplice Fronteira, que reúne Brasil, Paraguai e Argentina, é historicamente marcada por crimes como contrabando, tráfico de drogas e sequestros relâmpago. A ação da quadrilha, que usou mototaxistas como iscas, revela uma sofisticação operacional que preocupa autoridades dos dois países. As vítimas registraram boletins de ocorrência no Brasil, e um dos turistas também procurou a polícia paraguaia. Até o momento, não há informações sobre prisões ou identificação dos suspeitos.
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