Mudança de rota: Tarcísio recua e anuncia que novas linhas de metrô de SP não serão privatizadas

O governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), afirmou nesta terça-feira (30) que mudou de opinião e não deve privatizar novas linhas de metrô. Pré-candidato à reeleição, ele disse que chegou à conclusão de que o estado não pode concentrar todas as suas linhas férreas com poucas empresas privadas, para não comprometer a qualidade dos serviços aos passageiros. A declaração foi feita durante a inauguração do Hospital e Maternidade Municipal de Várzea Paulista (SP) e representa uma inflexão na política de concessões defendida pelo governo desde o início do mandato.

“A capacidade que a gente tem que ter é de mudar de opinião. A gente não concede algo por conceder. Não é aquele negócio de ‘eu preciso necessariamente ter a iniciativa privada operando’. Não é isso. É como eventualmente eu posso ter mais investimentos e melhores serviços. O Metrô está trabalhando muito bem e hoje a tendência é que ele continue operando essas linhas. Até porque, você não pode correr o risco de ter muitas linhas operadas por poucos operadores privados”, afirmou o governador. A fala contrasta com o histórico de Tarcísio, que sempre defendeu a concessão de serviços públicos à iniciativa privada, mas tem sido alvo de críticas da oposição pela quantidade de concessões feitas por sua gestão, principalmente na área de transportes.

Desgastes com a ViaMobilidade e pressão política

Nos últimos três anos, Tarcísio enfrentou desgastes principalmente em relação à ViaMobilidade, que virou alvo de inquéritos do Ministério Público em razão da má prestação de serviços nas linhas 8-Diamante e 9-Esmeralda. A situação gerou um clima de insatisfação entre usuários e abriu espaço para críticas de parlamentares da oposição, que apontam riscos de precarização do transporte público com a entrega de novas linhas à iniciativa privada. “A dificuldade que temos no setor de transporte ferroviário é a quantidade de operadores. É difícil mobilizar operadores estrangeiros por várias razões e você também não pode concentrar todo o transporte na mão de poucos operadores. Então, hoje a tendência é que as linhas operadas pelo Metrô continuem operadas pelo Metrô”, declarou o governador, reforçando a nova diretriz.

Inauguração da estação Washington Luiz e extensão de horários

O governador de SP inaugurou nesta terça-feira (30) a oitava estação da Linha 17-Ouro do Monotrilho, a Estação Washington Luiz, na Zona Sul da capital, e anunciou que a linha deve continuar com o Metrô pelo menos até o início da operação comercial, prevista para outubro deste ano, às vésperas da eleição. Ele também anunciou que a Linha 17-Ouro terá a extensão de funcionamento do período de testes em duas horas, passando a funcionar de segunda a sexta-feira, das 09h às 16h, em operação assistida. A medida visa ampliar a oferta de transporte para a população antes da conclusão total do projeto, que enfrenta atrasos históricos.

O anúncio ocorre em um contexto de acirramento político, com a proximidade das eleições estaduais de 2026. A decisão de não privatizar novas linhas de metrô é vista por analistas como uma tentativa de Tarcísio de conter o desgaste com a base de usuários e reduzir a pressão da oposição, que vinha explorando o tema como bandeira de campanha. A mudança de rota, no entanto, levanta questionamentos sobre a sustentabilidade financeira do sistema, já que o estado enfrenta restrições orçamentárias para investimentos em infraestrutura. Ainda assim, o governador sinaliza que a prioridade agora é a qualidade do serviço público, mesmo que isso signifique abrir mão de concessões que antes eram vistas como centrais para sua gestão.

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