Lula anuncia reeleição no Mercosul para ‘garantir’ democracia e defende bloco acima de ideologias

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) afirmou, durante cúpula de líderes do Mercosul realizada em Assunção, que vai disputar a reeleição em outubro deste ano para ‘garantir’ a democracia no Brasil. A declaração ocorreu em fala de improviso, após discurso institucional sobre as relações entre os países do bloco e com outros grupos econômicos. ‘Vou concorrer às eleições para garantir que o país se mantenha como um país democrático’, disse Lula, mencionando tentativas de golpe no Brasil e ameaças globais à democracia.

O petista tentará um quarto mandato presidencial e terá como principal adversário Flávio Bolsonaro (RJ), filho de Jair Bolsonaro e pré-candidato pelo PL. A declaração de Lula ocorre em um contexto de polarização política na América do Sul, com o avanço de partidos de direita em diversos países. Sem citar diretamente esse movimento, Lula afirmou que o Mercosul é a ‘melhor opção institucional’ em uma região polarizada e que ‘ninguém é dono’ do continente.

Mercosul e a defesa da integração regional

Durante o pronunciamento, Lula defendeu a integração entre os países do Mercosul acima das posições ideológicas de cada presidente. ‘O Mercosul não pode funcionar de acordo com a eleição deste ou daquele presidente. Senão, a gente nunca vai ter um bloco forte funcionando. Nunca vai conseguir se transformar em um bloco econômico de muita vitalidade’, afirmou. Ele pediu esforços nos próximos seis meses para consolidar as instituições de apoio do bloco, para que funcione independentemente de quem for eleito nos países-membros.

O presidente brasileiro também comentou os 35 anos do Mercosul, criado em 1991, e afirmou que o bloco foi uma resposta ao passado autoritário na região. Atualmente, o Mercosul é integrado por Argentina, Brasil, Paraguai, Uruguai e Bolívia, com o objetivo de promover integração econômica e aduaneira, além da livre circulação de bens, serviços e fatores produtivos.

Ausência de Milei e presenças na cúpula

Além de Lula, a reunião do bloco contou com as presenças dos presidentes do Paraguai, Santiago Peña; do Uruguai, Yamandú Orsi; do Chile, José Antonio Kast; e do Equador, Daniel Noboa. O presidente da Argentina, Javier Milei, adversário político de Lula, alegou compromissos locais e não compareceu, enviando como representante o chanceler. Milei, aliado da família Bolsonaro, encontrou-se com Flávio Bolsonaro na segunda-feira (29), véspera da cúpula.

A ausência de Milei reforça as tensões políticas no bloco, enquanto Lula busca fortalecer a integração regional como contraponto ao avanço de lideranças de direita. A declaração do presidente brasileiro sobre a reeleição, feita em um fórum internacional, sinaliza a centralidade da democracia como tema de campanha e a tentativa de projetar o Brasil como pilar de estabilidade na região.

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