A suspensão das buscas por Tiago Gomes Pereira, de 26 anos, desaparecido desde o dia 21 de junho no Parque Estadual Furnas do Bom Jesus, em Pedregulho (SP), gerou críticas por parte da família do jovem. O Corpo de Bombeiros interrompeu a operação na segunda-feira (29), após oito dias de trabalhos. A decisão ocorre em meio a um contexto de crescente pressão social sobre a eficiência dos serviços de emergência no estado de São Paulo, onde casos de desaparecimentos em áreas de preservação ambiental têm se tornado mais frequentes, expondo lacunas na coordenação entre órgãos públicos e na comunicação com as famílias.
Ao g1, a irmã de Tiago, Milena Gomes Pereira, questionou a decisão de suspender os trabalhos, principalmente após a localização da bicicleta do rapaz no último sábado (27). Segundo Milena, houve uma promessa por parte das autoridades de que, caso algum pertence fosse achado, os esforços seriam redobrados naquela área específica, o que não aconteceu. “Pararam porque falaram assim que não tem onde procurar mais. Mas a bicicleta foi achada e o próprio comandante falou para mim que se achasse a bicicleta, eles iam concentrar todas as buscas num lugar só, mas não foi o que aconteceu”, diz Milena.
Segundo a corporação, os trabalhos podem ser retomados desde que surjam novos elementos ou indícios concretos que justifiquem uma nova operação. A irmã alega que a falta de respostas e de comunicação clara por parte das autoridades tem tornado a espera ainda mais dolorosa para os parentes, que se sentem no escuro em relação aos próximos passos. “A gente não sabe o que está acontecendo, é um mistério isso daí. Eles não informam nada para a gente”, lamenta.
Apesar da suspensão oficial, a família se apega à esperança de encontrar Tiago e cobra o retorno das equipes de resgate ao local onde a bicicleta foi abandonada. Ela pede que os cães farejadores voltem a percorrer a região do parque estadual, mesmo que o desfecho não seja o esperado por eles. “Falei para eles da possibilidade de os cachorros voltarem porque eles detectam pessoas. Os cachorros voltarem e ver se acham meu irmão, nem que seja sem vida, mas que venham, né, atrás para poder encontrá-lo. Ele deve estar machucado, está precisando de ajuda”, diz.
Por meio de nota oficial, o Corpo de Bombeiros informou que a operação foi desmobilizada “após criteriosa avaliação de todas as áreas de interesse e considerando todos os esforços empregados” ao longo de oito dias. A corporação destacou que utilizou equipes de busca terrestre, drones com câmeras térmicas, cães farejadores e o helicóptero Águia da Polícia Militar. O caso expõe um dilema recorrente em operações de busca no interior paulista: a tensão entre a necessidade de otimizar recursos públicos e a angústia de famílias que exigem respostas. Enquanto isso, Tiago Gomes Pereira segue desaparecido, e a comunidade local aguarda novas informações.
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