Brasil gera 73 mil empregos formais em maio, pior resultado para o mês em seis anos

A economia brasileira gerou apenas 73 mil empregos formais em maio deste ano, informou nesta terça-feira (30) o Ministério do Trabalho e do Emprego. O número representa um recuo de 52,3% em relação a maio de 2025, quando foram criados 153,1 mil postos com carteira assinada, e configura o pior resultado para o mês desde 2020, quando a pandemia fechou 398,2 mil vagas. Ao todo, foram registradas 2,2 milhões de contratações e 2,13 milhões de demissões no período.

O saldo de 767,32 mil empregos formais acumulados de janeiro a maio de 2026 também acendeu alerta: o número é 28% inferior ao mesmo período de 2025 (1,07 milhão) e representa o pior resultado para os primeiros cinco meses do ano desde 2020, quando foram fechadas 1,34 milhão de vagas. Ao fim de maio, o Brasil tinha 47,87 milhões de trabalhadores com carteira assinada, leve alta ante os 47,8 milhões de abril e os 46,9 milhões de maio de 2025.

Setores e regiões: todos os cinco ramos geraram vagas, mas Norte teve saldo negativo

Os dados do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged) mostram que, em maio, houve criação de empregos formais nos cinco grandes setores da economia: serviço, comércio, indústria, construção e agropecuária. No recorte regional, quatro das cinco regiões do país registraram saldo positivo — Sudeste, Nordeste, Sul e Centro-Oeste —, enquanto o Norte fechou o mês com perda de vagas.

Salário médio de admissão cai em relação a abril, mas sobe na comparação anual

O Ministério do Trabalho também divulgou que o salário médio de admissão em maio foi de R$ 2.384,10, valor que representa queda real (descontada a inflação) em relação a abril de 2026 (R$ 2.402,07). Na comparação com maio de 2025, no entanto, houve aumento no rendimento inicial dos contratados.

Ministro aponta juros altos e tarifaço de Trump como causas da desaceleração

O ministro do Trabalho, Luiz Marinho, avaliou que a forte queda na geração de empregos formais em maio está diretamente relacionada aos efeitos da política de juros altos no Brasil e ao tarifaço imposto pelo presidente norte-americano Donald Trump. “A política monetária vem gerando efeito muito negativo no mercado de trabalho, que era para estar mais positivo. Mas tem o efeito guerra, que gerou transtorno danado no mercado global”, afirmou Marinho. A declaração reforça o cenário de incertezas econômicas globais que, somadas à política doméstica de aperto monetário, têm travado a recuperação do emprego formal no país.

Analistas ouvidos pelo G1 destacam que a comparação dos números com anos anteriores a 2020 não é mais adequada, pois o governo federal mudou a metodologia do Caged. Ainda assim, a série histórica disponível mostra que maio de 2026 foi o pior para o mercado de trabalho formal desde a crise sanitária, quando 398,2 mil vagas foram fechadas em maio de 2020. Nos anos seguintes, o saldo foi positivo: 266,7 mil em 2021, 277,8 mil em 2022, 156,2 mil em 2023, 139,8 mil em 2024 e 153,1 mil em 2025.

O resultado de maio acende um sinal de alerta para o governo federal, que vinha apostando na geração de empregos como um dos pilares da recuperação econômica. A desaceleração ocorre em meio a um cenário de juros elevados, inflação persistente e tensões comerciais internacionais, que afetam diretamente setores como indústria e serviços. Para especialistas, a retomada do crescimento do emprego formal dependerá de uma combinação de políticas de estímulo à atividade produtiva e de redução da burocracia, como defendido por empresários em eventos recentes, como o encontro em Penedo, onde se discutiu que a geração de empregos exige menos burocracia e mais apoio ao empreendedorismo.

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