Alcolumbre rebate críticas e denuncia ‘agressões’ de autoridades por pautas-bomba no Senado

O presidente do Senado Federal, Davi Alcolumbre (União-AP), classificou como inadequadas as “agressões, ofensas e ataques” que vem sofrendo de “autoridades” da República em função de projetos que tem pautado na Casa, em discurso no plenário na tarde desta terça-feira (30). A fala ocorre em meio a um cenário de crescente tensão entre o Legislativo e o Executivo, com o governo federal pressionando para conter o avanço de matérias de alto impacto fiscal, conhecidas como “pautas-bomba”, que podem comprometer o ajuste das contas públicas em ano eleitoral.

“Não está bom, não é adequada a maneira que algumas autoridades da República estão tratando alguns assuntos que estão pendentes de apreciação no Senado Federal. Não está normal as agressões, as ofensas e os ataques que o presidente do Senado Federal está tendo a todo instante”, afirmou Alcolumbre, sem citar nominalmente os responsáveis, mas em referência direta a integrantes do governo Luiz Inácio Lula da Silva.

PEC dos agentes de saúde e o impacto bilionário

A declaração foi feita durante sessão de debate de uma Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que cria aposentadoria especial para agentes comunitários de saúde e de combate às endemias. Pelo impacto bilionário nas contas públicas, a PEC é considerada uma das pautas-bomba encampadas pelo senador. A proposta foi tema de reunião nesta terça entre Alcolumbre e a senadora Teresa Leitão (PT-PE), nova líder do governo no Senado, além do ministro das Relações Institucionais, José Guimarães.

Desde o início de sua gestão como presidente do Senado, Alcolumbre adotou uma postura pública de neutralidade, dizendo ao governo que estava aberto ao diálogo, mas, ao mesmo tempo, reclamando de ataques que vinha sofrendo, principalmente nas redes sociais, e que classificava como organizados por integrantes do governo. “Eu vou defender uma casa bicentenária na condição de presidente do Senado Federal e não aceito ofensas, agressões e ataques por aqueles que acusavam outrora, outra autoridade. E que agora estão fazendo a mesma coisa com o presidente do Senado agora e que no ano passado fizeram com o presidente da Câmara dos Deputados, colocando um carimbo como o Congresso inimigo do povo”, disse.

Histórico de embates entre os Poderes

O embate não é novo. Ainda em maio de 2025, a primeira crítica pública de Alcolumbre ao governo ocorreu durante a queda de braço sobre o aumento na cobrança do Imposto sobre Operações Financeiras (IOF). Na ocasião, o presidente do Senado chamou de “usurpação” a tentativa do governo de aumentar o tributo por meio de medida provisória, sem consulta ao Legislativo. “Que este exemplo do IOF, dado pelo governo federal, seja o último daquelas decisões tomadas pelo governo tentando, de certo modo, usurpar as atribuições legislativas do poder Legislativo”, afirmou Alcolumbre à época.

Agora, um ano depois e após vários entraves entre os Poderes, Alcolumbre volta a reclamar do governo em função da pressão que vem sofrendo pela possibilidade de aprovação de pautas-bomba, que pressionam o orçamento da União em um ano eleitoral. O episódio reflete o delicado equilíbrio de forças entre Executivo e Legislativo, com o governo tentando conter despesas e o Senado, sob liderança de Alcolumbre, buscando afirmar sua independência e poder de agenda.

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