A Alexa+, versão recém-lançada para um grupo restrito de usuários no Brasil pela Amazon, ainda tem dificuldades para pronunciar nomes próprios corretamente, como Henrique, mas a chegada de recursos de inteligência artificial generativa deixou a assistente virtual mais inteligente. O lançamento ocorre em um momento de acirramento da concorrência no mercado de assistentes virtuais, com Google e Apple também investindo em IA para seus dispositivos, enquanto a Amazon busca consolidar sua presença no país com funcionalidades que vão além do básico.
Desde 2019, quando o serviço foi lançado no Brasil e concorria com o Google Nest, o comando de voz para a casa inteligente era inovador. Com o passar do tempo, a assistente acabou se tornando uma espécie de interruptor de luxo para apagar luzes, checar a previsão do tempo e programar alarmes. Nesse período, o próprio Google desistiu de lançar alto-falantes inteligentes no país, deixando o caminho aberto para a Amazon expandir seu ecossistema.
Na versão antiga, pedir para tocar músicas de bandas com nomes específicos, como The XX, era um problema que resultava em seleções aleatórias. A nova Alexa+ entende o pedido e até corrige a pronúncia para o inglês correto – “tocando the twentieth”. Não era “xis-xis” ou “équis-équis”, conforme demonstrado em vídeo no início da reportagem. Essa melhoria reflete o avanço da IA generativa, que também permite à assistente compreender contextos mais complexos e oferecer respostas mais precisas.
O grande atrativo da Alexa+ é a capacidade de conversação. A voz foi alterada, embora seja possível retornar à versão anterior. O fato de não precisar repetir a palavra de ativação o tempo todo facilita o engate de diálogos. É possível pedir para ler as notícias do dia e, em seguida, iniciar uma conversa sobre a Copa do Mundo. Até palpitou que o Brasil ganharia da Escócia por 2×0. Na gravação do vídeo, antes do jogo de segunda (29) do Brasil contra o Japão, ela também deu suas opiniões. Essa fluência conversacional é um diferencial em um mercado onde a Google Assistente e a Siri ainda lutam para manter diálogos naturais.
Memória e privacidade: desafios persistentes
A inteligência artificial conta com uma memória de conversas, que ainda precisa de ajustes. Em testes com pedidos musicais, a assistente ignorou a instrução para não tocar a música Creep, do Radiohead. Após ser corrigida, ela suspendeu a faixa. Dias depois, ao retomar o tema, a Alexa+ havia se esquecido da restrição, mas prometeu anotar a preferência no aplicativo do celular, sempre reforçando o discurso de privacidade. Esse comportamento levanta questões sobre a confiabilidade da memória da IA, especialmente em um contexto onde a Amazon enfrenta escrutínio sobre o uso de dados dos usuários.
Algumas funcionalidades não fazem sentido em dispositivos sem tela, como o antigo Echo Studio usado no teste. Pedir para montar um guia de turismo ou resumir documentos enviados por e-mail são tarefas que exigem um display para acompanhamento. Além disso, por questões de privacidade, a conexão do e-mail pessoal ao aparelho foi evitada. No Amazon Echo com tela, o uso da Alexa+ parece fazer mais sentido, indicando que a Amazon pode estar direcionando a nova versão para dispositivos com display, enquanto modelos mais antigos podem ficar limitados.
O aplicativo Amazon Alexa para smartphones funciona como uma central de informações dos dispositivos conectados, registrando as conversas e lembranças. Acesso antecipado ao serviço Alexa+ e suas funcionalidades foi disponibilizado para um grupo restrito de usuários no Brasil, conforme divulgado pela Amazon. A empresa não informou quando a versão será amplamente liberada, mas a expectativa é que a IA generativa se torne um padrão em futuros dispositivos, consolidando a posição da Amazon no mercado de casas inteligentes.
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