Cantora de forró denuncia ex-marido por violência doméstica no Ceará após mais de uma década de agressões

Uma cantora de forró, cujo nome não foi divulgado pela reportagem, registrou denúncia contra o ex-marido por violência doméstica no Ceará, afirmando ter sido vítima de agressões físicas, psicológicas e patrimoniais ao longo de mais de dez anos de relacionamento. O caso, revelado pelo portal Frances News no último domingo (26), ocorre em meio a um cenário de aumento de denúncias de violência contra a mulher no estado, que registrou mais de 30 mil ocorrências em 2025, segundo dados da Secretaria de Segurança Pública. A artista, que construiu carreira no circuito de forró eletrônico, relatou que as agressões começaram de forma sutil, com controle financeiro e isolamento social, evoluindo para episódios de violência física que incluíram empurrões, socos e ameaças com arma branca.

De acordo com o depoimento da cantora, o ex-marido, que não teve a identidade revelada, utilizava sua influência no meio artístico para coagir a vítima a não procurar ajuda, sob a ameaça de prejudicar sua carreira. A denúncia foi formalizada na Delegacia de Defesa da Mulher de Fortaleza, que agora investiga o caso. A artista também apresentou registros médicos de lesões e prints de conversas que comprovariam as agressões psicológicas e patrimoniais, como a venda de bens do casal sem seu consentimento. O caso ganhou repercussão nas redes sociais, onde a cantora desabafou: “Passei mais de dez anos achando que aquilo era amor, mas era uma prisão”.

Panorama da violência doméstica no Ceará

O caso da cantora de forró se insere em um contexto alarmante no estado. Dados do Fórum Brasileiro de Segurança Pública indicam que o Ceará registrou, em 2025, uma taxa de 34,7 denúncias de violência doméstica por 100 mil mulheres, acima da média nacional de 28,4. Especialistas apontam que a subnotificação ainda é um desafio, especialmente em regiões interioranas, onde o medo de represálias e a dependência financeira dificultam a denúncia. A situação é agravada pela demora na tramitação de medidas protetivas, que, segundo o Tribunal de Justiça do Ceará, levam em média 15 dias para serem concedidas, prazo que pode ser fatal em casos de risco iminente.

A denúncia da cantora também reacende o debate sobre a violência patrimonial, uma das formas mais silenciosas de abuso, que afeta principalmente mulheres em relações de longo prazo. De acordo com a Lei Maria da Penha, a violência patrimonial inclui a retenção, subtração ou destruição de objetos, documentos pessoais, bens e valores. No caso da artista, ela alega que o ex-marido vendeu um carro e uma casa adquiridos durante o casamento sem sua autorização, além de ter contraído dívidas em seu nome. A defensoria pública do estado informou que oferecerá acompanhamento jurídico e psicológico à vítima.

O caso também mobilizou outras artistas do forró, que usaram as redes sociais para prestar solidariedade e compartilhar relatos semelhantes. A cantora Mara Lima, conhecida no cenário nacional, declarou: “Infelizmente, muitas de nós passamos por isso. É preciso romper o silêncio”. A Associação dos Músicos do Ceará emitiu nota repudiando a violência e se colocou à disposição para apoiar a vítima. A investigação segue em sigilo, mas a expectativa é de que o ex-marido seja intimado a prestar depoimento nos próximos dias.

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