Brasil quebra jejum de 40 anos ao perder pênalti no tempo normal em Copas, repetindo marca de Zico em 1986

A Seleção Brasileira voltou a perder um pênalti no tempo normal de uma partida de Copa do Mundo após 40 anos, repetindo um feito que não ocorria desde a fatídica cobrança de Zico contra a França, em 1986. O erro aconteceu na partida contra a Noruega, válida pela fase de grupos do Mundial de 2026, e interrompeu uma marca que atravessava gerações. A cobrança desperdiçada, que poderia ter mudado o rumo do jogo, reacendeu o debate sobre a preparação da equipe para momentos de alta pressão e expôs fragilidades que vão além do resultado imediato.

O lance ocorreu aos 32 minutos do segundo tempo, quando o árbitro marcou penalidade máxima após revisão do VAR. O atacante brasileiro designado para a cobrança, Vinicius Junior, bateu no canto esquerdo, mas o goleiro norueguês Orjan Nyland fez a defesa. A falha impediu o empate parcial e manteve a Noruega na frente do placar, que terminou em 2 a 1 para os europeus. A última vez que o Brasil havia perdido uma penalidade no tempo normal em Copas foi em 21 de junho de 1986, quando Zico parou no goleiro francês Joël Bats, em jogo válido pelas quartas de final da Copa do México.

Impacto histórico e estatístico

Desde 1986, o Brasil havia convertido todas as cobranças de pênalti no tempo regular de partidas de Copa do Mundo. Foram 12 penalidades batidas e convertidas por nomes como Romário, Ronaldo, Rivaldo, Neymar e Richarlison, entre outros. A sequência incluía jogos decisivos, como a final de 1994 contra a Itália (embora na disputa de pênaltis, não no tempo normal) e a semifinal de 2002 contra a Turquia. O erro contra a Noruega quebra essa invencibilidade e coloca a seleção em uma posição delicada na tabela do Grupo H, com apenas três pontos em dois jogos.

O técnico Dorival Junior minimizou o impacto do erro em entrevista coletiva, mas reconheceu que a equipe precisa melhorar a eficiência nas finalizações. “Pênaltis fazem parte do jogo. Erramos hoje, mas isso não define nossa campanha. Temos que corrigir os erros e seguir em frente”, afirmou. Já o ex-jogador e comentarista Casagrande destacou o peso psicológico da falha: “O Brasil sempre foi referência em cobranças de pênalti. Esse erro pode mexer com a confiança do elenco, especialmente em um Mundial tão competitivo.”

Panorama político e esportivo

O resultado negativo contra a Noruega ocorre em meio a um cenário de instabilidade no comando da Confederação Brasileira de Futebol (CBF), que enfrenta críticas por mudanças frequentes na comissão técnica e falta de planejamento de longo prazo. A derrota também reacendeu o debate sobre a preparação física e mental dos atletas, tema que ganhou força após a eliminação nas quartas de final da Copa de 2022. Especialistas apontam que a pressão por resultados imediatos, somada à ausência de um centro de treinamento fixo para a seleção, pode estar comprometendo o desempenho em momentos decisivos.

Para o ex-técnico Vanderlei Luxemburgo, o erro de pênalti é sintoma de um problema maior. “A seleção brasileira perdeu a identidade de jogo. Não basta ter talento individual; é preciso organização tática e emocional. Esse pênalti perdido é um alerta para todo o sistema”, declarou em entrevista ao portal Republica do Povo. A Noruega, por sua vez, celebrou a vitória como uma das maiores de sua história em Copas, com o técnico Ståle Solbakken destacando a disciplina tática e a força defensiva da equipe.

O Brasil ainda tem um jogo pela fase de grupos, contra o Camarões, e precisa vencer para garantir a classificação sem depender de outros resultados. A partida está marcada para o próximo sábado, no Estádio Nacional de Brasília, e promete ser um teste de fogo para o elenco e a comissão técnica. Enquanto isso, a torcida brasileira revive o fantasma de 1986, quando a eliminação nos pênaltis para a França marcou o fim de um ciclo e o início de uma nova era de cobranças sobre a seleção.

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