Servidora apontada como possível amante de ex-secretário recebe R$ 15,2 mil da Assembleia de Alagoas em meio a investigação de desvio de R$ 100 milhões na Saúde

A servidora Andreia Araújo Cavalcante, apontada pela Polícia Federal como “possível amante” do ex-secretário de Saúde de Alagoas Gustavo Pontes, recebeu R$ 15,2 mil líquidos da Assembleia Legislativa de Alagoas (ALE) em maio de 2026, conforme dados da folha de pagamento do órgão. O pagamento ocorre em meio à investigação da PF sobre um suposto esquema de desvio superior a R$ 100 milhões na Saúde do estado, que já resultou em prisões e afastamentos de servidores públicos.

A folha de pagamento da ALE, obtida pelo portal Republica do Povo, mostra que Andreia permaneceu em cargo comissionado durante todo o mês de maio, mesmo após a deflagração da operação que mirou o núcleo político do esquema. O valor líquido recebido, de R$ 15.200,00, é compatível com os vencimentos de cargos de alto escalão no Legislativo alagoano, mas chama a atenção por ocorrer em um momento de forte pressão sobre a gestão estadual.

Investigação da PF e conexões políticas

O relatório da Polícia Federal, que cita Andreia como “possível amante” de Gustavo Pontes, integra o inquérito que apura desvios de recursos públicos na Secretaria de Saúde de Alagoas. As investigações apontam que o esquema envolvia a contratação superfaturada de empresas de fachada, com movimentações financeiras que ultrapassam R$ 100 milhões. Gustavo Pontes, ex-secretário de Saúde, foi preso preventivamente em abril de 2026, mas solto por decisão judicial em junho, sob monitoramento eletrônico.

A permanência de Andreia na ALE, mesmo após as revelações, levanta questionamentos sobre a transparência e a responsabilidade política no Legislativo alagoano. A Assembleia, presidida pelo deputado Marcelo Beltrão (MDB), não se manifestou oficialmente sobre o caso, mas fontes internas indicam que a servidora mantém vínculo com o gabinete de um parlamentar aliado ao governo estadual.

Panorama político e impacto institucional

O caso ocorre em um contexto de crise política em Alagoas, onde a oposição tem pressionado por uma CPI para investigar os desvios na Saúde. O governador Paulo Dantas (MDB) enfrenta desgaste com a revelação de que integrantes de sua base aliada estariam envolvidos no esquema. A manutenção de Andreia no cargo é vista por analistas como um sinal de que o sistema político local ainda resiste a medidas de moralização, mesmo diante de evidências robustas da PF.

Enquanto isso, a Justiça Federal de Alagoas continua a analisar os desdobramentos do caso, com novas diligências previstas para as próximas semanas. A Polícia Federal, em nota, informou que o relatório que cita Andreia é parte de um conjunto maior de provas, que inclui quebras de sigilo bancário e interceptações telefônicas. O Ministério Público Federal (MPF) acompanha o caso e pode oferecer denúncia contra os envolvidos nos próximos meses.

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