PF deflagra 3ª fase da Operação Rent a Car e mira suspeitas de desvio de cota parlamentar ligadas ao líder do PL

A Polícia Federal deflagrou nesta quinta-feira (26) a terceira fase da Operação Rent a Car, batizada de Galho Fraco II, para investigar um suposto esquema de desvio de cota parlamentar que teria beneficiado o líder do PL na Câmara dos Deputados. As medidas, autorizadas pelo Supremo Tribunal Federal (STF), são cumpridas em três estados: Distrito Federal, Goiás e Mato Grosso. A apuração foca nos crimes de peculato, lavagem de dinheiro e organização criminosa, com indícios de que recursos públicos destinados a atividades parlamentares foram desviados para fins particulares.

As investigações, que tiveram início em 2023, apontam que o esquema envolvia a contratação fictícia de empresas de locação de veículos para simular despesas de cota parlamentar. Os valores, que somam aproximadamente R$ 2,5 milhões, eram então repassados a pessoas ligadas ao líder do PL, segundo a PF. A operação cumpre 12 mandados de busca e apreensão e 4 mandados de prisão temporária, todos expedidos pelo STF. Entre os alvos estão assessores parlamentares e empresários do setor de locação.

Panorama político e impacto

O caso ganha relevância em meio a um cenário de crescente escrutínio sobre o uso de verbas públicas no Legislativo. A cota parlamentar, que custeia atividades como passagens aéreas e aluguel de veículos, tem sido alvo de frequentes denúncias de desvios. A operação ocorre em um momento de tensão política, com o PL sendo um dos principais partidos de oposição ao governo federal. A liderança da legenda na Câmara, ocupada pelo deputado Altineu Côrtes (PL-RJ), está sob investigação, mas ele nega envolvimento. A PF afirma que as provas coletadas indicam a participação de uma rede de pessoas físicas e jurídicas que operavam o esquema.

Além disso, a operação se conecta a outras investigações em andamento, como a Operação Fallere, que expôs fraudes em benefícios prisionais no Amapá, e a Operação Anafóra, que mira lavagem de dinheiro desviado da saúde no Rio de Janeiro. Esses casos reforçam um padrão de desvios de recursos públicos em diferentes esferas, com a PF atuando em conjunto com o STF para coibir crimes de colarinho branco. A Galho Fraco II também levanta questionamentos sobre a fiscalização das cotas parlamentares, que somam mais de R$ 200 milhões anuais apenas na Câmara dos Deputados.

Os investigados poderão responder por peculato, lavagem de dinheiro e organização criminosa, com penas que podem ultrapassar 20 anos de reclusão. A PF não descarta novas fases da operação, à medida que as análises dos materiais apreendidos avançam. O caso segue sob sigilo judicial, mas a expectativa é de que novos desdobramentos ocorram nas próximas semanas, com possíveis implicações para outros parlamentares.

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