EUA sancionam brasileiros e empresas por supostos vínculos com o PCC em nova ofensiva contra facções

O Departamento do Tesouro dos Estados Unidos anunciou, nesta quarta-feira (1º), sanções contra dois brasileiros e três empresas do Brasil, acusando-os de supostos vínculos com a organização criminosa Primeiro Comando da Capital (PCC). Uma empresa portuguesa também foi bloqueada, sob a acusação de envolvimento com lavagem de dinheiro do PCC na Flórida. Esta é a primeira sanção de Washington contra brasileiros ou empresas do Brasil após o governo Donald Trump classificar facções do país como organizações terroristas, em decisão que entrou em vigor em junho de 2026.

Os alvos das sanções são Victor Henrique de Oliveira Shimada (Shimada) e Stella Stefanie Nunes Henrique de Oliveira (Stella), ambos supostamente moradores de São Paulo. Segundo as autoridades americanas, Shimada seria o “elo fundamental” do PCC com membros da facção na Flórida, tendo lavado mais de US$ 1 milhão em recursos ilícitos. As três empresas brasileiras sancionadas são acusadas de atuar como fachada para movimentação de dinheiro do crime organizado. A empresa portuguesa, cujo nome não foi divulgado, teria relação com a lavagem de dinheiro do PCC em solo americano.

Investigação conjunta e impacto das sanções

O Departamento do Tesouro dos EUA informou que a decisão foi resultado de uma investigação da Força-Tarefa de Segurança Interna (HSTF), em parceria com o Escritório de Campo do FBI em Miami e a Seção de Lavagem de Dinheiro, Narcóticos e Confisco do Departamento de Justiça norte-americano. “Essa abordagem unificada e abrangente do governo garante a coordenação operacional para maximizar o impacto contra as redes criminosas transnacionais”, afirmou o Escritório de Controle de Ativos de Estrangeiros (Ofac) em comunicado oficial.

Gene Lange, subsecretário para Terrorismo e Inteligência Financeira, destacou que “essa designação é mais um passo do governo dos EUA para abordar e reconhecer a crescente presença da geração de receita ilícita do Primeiro Comando da Capital dentro de nossas fronteiras”. As sanções bloqueiam quaisquer ativos que os sancionados possam ter sob jurisdição americana e proíbem cidadãos dos EUA de realizar transações com eles.

Panorama político e reações

A medida ocorre em um contexto de escalada da pressão internacional contra facções criminosas brasileiras. Em maio de 2026, os EUA passaram a designar o PCC e o Comando Vermelho (CV) como organizações terroristas, decisão que gerou controvérsia no Brasil. Na ocasião, promotores brasileiros criticaram a classificação, argumentando que ela não ajuda o combate ao crime organizado no país e pode complicar a cooperação jurídica. A nova rodada de sanções reforça a postura do governo Trump de tratar o crime organizado transnacional como ameaça à segurança nacional, ampliando o uso de ferramentas financeiras para desarticular redes ilícitas.

Especialistas apontam que a medida pode ter impactos significativos nas operações do PCC, que há anos expande sua atuação para fora do Brasil, especialmente nos Estados Unidos e na Europa. No entanto, críticos alertam que a abordagem unilateral dos EUA pode gerar atritos diplomáticos e dificultar a cooperação bilateral em investigações. Até o momento, o governo brasileiro não se manifestou oficialmente sobre as sanções.

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