Venezuela corre contra o tempo e ultrapassa 6 mil resgates com vida seis dias após terremotos devastadores

Passados seis dias desde os terremotos que causaram destruição na Venezuela, na última quarta-feira (24), equipes de salvamento continuam a encontrar sobreviventes da tragédia. O total de resgatados com vida chega a 6.640, de acordo com o último balanço divulgado pelo governo venezuelano, segundo a Telesur, empresa estatal de comunicação. A marca representa um esforço conjunto de equipes locais e internacionais que atuam contra o tempo em meio aos escombros, enquanto o país ainda contabiliza os danos e busca acelerar as operações antes que as chances de encontrar mais sobreviventes se reduzam drasticamente.

O número de resgates, que já supera a marca de seis mil, reflete a magnitude da tragédia e a mobilização de recursos humanos e materiais. Entre as equipes estrangeiras que atuam no país, destaca-se a participação de uma equipe de emergência da Jordânia, que conseguiu retirar uma criança com vida de um prédio desabado, conforme imagem divulgada pela Reuters. A operação, registrada no dia 30 de junho de 2026, ilustra a complexidade e a urgência dos trabalhos de busca, que envolvem desde cães farejadores até equipamentos de escuta e câmeras térmicas.

Panorama político e humanitário

A tragédia na Venezuela ocorre em um contexto de profunda crise econômica e política, que já vinha afetando a capacidade de resposta do Estado. O governo venezuelano, sob a liderança de Nicolás Maduro, declarou estado de emergência e solicitou ajuda internacional. O Brasil, por meio da Força Aérea Brasileira (FAB), já enviou 18 toneladas de medicamentos e militares para apoiar as operações, conforme noticiado pela Agência Brasil. O ministro da Defesa do Brasil, José Múcio Monteiro, afirmou que a ajuda brasileira não será episódica, sinalizando um compromisso de longo prazo com a recuperação do país vizinho. A tragédia também reacendeu o debate sobre a cooperação regional em desastres naturais, com países como Colômbia, Argentina e México oferecendo apoio logístico e equipes de resgate.

Enquanto as equipes de salvamento seguem trabalhando, o governo venezuelano atualiza diariamente os números de vítimas. Até o momento, o balanço oficial aponta para 1.450 mortos, conforme reportagem anterior do Republica do Povo, mas o número pode aumentar à medida que os escombros são removidos. A situação é agravada pela falta de infraestrutura básica em várias regiões atingidas, com hospitais sobrecarregados e falta de água potável. Organizações não governamentais, como a Cruz Vermelha, também atuam no terreno, prestando assistência médica e psicológica às vítimas.

A tragédia na Venezuela já mobilizou a comunidade internacional, com destaque para a atuação do Brasil, que lidera a operação humanitária na região. A ajuda brasileira inclui não apenas medicamentos, mas também alimentos, tendas e equipes especializadas em busca e salvamento. A Bolívia, que recentemente rompeu a paridade cambial com o dólar após 15 anos, também anunciou o envio de ajuda humanitária, em um gesto de solidariedade regional. A crise, no entanto, expõe as fragilidades do sistema de defesa civil venezuelano e a necessidade de investimentos em prevenção e resposta a desastres.

Enquanto isso, histórias de sobrevivência e resgate emocionam o país. Na capital, Caracas, e em outras cidades atingidas, como Maracaibo e Valencia, equipes de resgate trabalham incansavelmente, muitas vezes improvisando técnicas para alcançar vítimas presas sob toneladas de concreto. A operação de resgate da criança jordaniana, que se tornou símbolo da esperança em meio à tragédia, é apenas um dos muitos exemplos de solidariedade e esforço humano que marcam este momento difícil para a Venezuela e para a América Latina.

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