A proposta de criação de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) para apurar o investimento de R$ 117,9 milhões do Instituto de Previdência dos Servidores Públicos (Iprev Maceió) no Banco Master já conta com 14 assinaturas na Assembleia Legislativa de Alagoas (ALE). A informação foi confirmada pelo líder da bancada do PT, deputado Ronaldo, que articula a coleta de apoios entre os parlamentares. O número supera o mínimo de 13 assinaturas exigido pelo regimento interno da Casa, abrindo caminho para a instalação do colegiado investigativo. O movimento ocorre em meio a crescentes questionamentos sobre a segurança e a rentabilidade dos recursos aplicados, que representam parcela significativa do patrimônio dos servidores públicos municipais.
O caso ganhou repercussão nacional após revelações de que o Iprev Maceió teria concentrado quase R$ 120 milhões em operações com o Banco Master, instituição financeira que, segundo relatórios de órgãos de controle, apresenta elevado risco de crédito e histórico de irregularidades. A CPI pretende investigar se houve conflito de interesses, falta de transparência ou descumprimento das normas de governança na gestão dos recursos previdenciários. Além disso, os parlamentares buscam esclarecer se o investimento foi precedido de estudos técnicos e se respeitou os limites de exposição a ativos de risco definidos pelo Conselho Monetário Nacional.
O avanço da CPI reflete um cenário de tensão política em Alagoas, onde a gestão dos fundos de previdência tem sido alvo de debates acalorados. Nos últimos meses, outros estados e municípios brasileiros também enfrentaram escândalos semelhantes, com prejuízos milionários em aplicações em instituições financeiras de pequeno porte. A situação expõe fragilidades nos mecanismos de fiscalização dos institutos de previdência, que muitas vezes operam com baixa transparência e sujeitos a pressões políticas. Para especialistas, o caso do Iprev Maceió pode se tornar um paradigma para a regulação do setor, especialmente após a aprovação da Reforma da Previdência em âmbito federal, que aumentou a responsabilidade dos entes subnacionais na gestão dos regimes próprios.
O deputado Ronaldo destacou que a CPI não tem caráter persecutório, mas sim de esclarecimento e defesa do patrimônio dos servidores. “Precisamos garantir que cada centavo dos aposentados e pensionistas seja aplicado com responsabilidade. O volume de recursos envolvidos e a falta de informações claras justificam uma investigação aprofundada”, afirmou. A oposição, por sua vez, cobra celeridade na instalação da comissão e alerta para possíveis desdobramentos criminais. Já a base governista tenta minimizar o impacto, argumentando que o investimento foi aprovado pelo conselho deliberativo do Iprev e que a rentabilidade obtida até o momento está dentro do esperado.
Enquanto a CPI não é formalmente instalada, o Ministério Público de Contas e o Tribunal de Contas do Estado já abriram procedimentos para acompanhar o caso. A expectativa é que os trabalhos da comissão possam resultar em recomendações para alterações na legislação estadual e municipal, além de eventuais responsabilizações civis e administrativas. Para os servidores públicos de Maceió, a situação gera apreensão, já que eventuais perdas nos investimentos podem comprometer o pagamento de benefícios futuros. A Assembleia Legislativa deve definir nos próximos dias a composição da CPI e o cronograma de audiências públicas, que prometem mobilizar a sociedade alagoana em torno do debate sobre a transparência na gestão previdenciária.
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