A Polícia Federal abriu inquérito para apurar o uso de emendas parlamentares na produção do filme ‘Dark Horse’, que aborda a trajetória do ex-presidente Jair Bolsonaro. A investigação foi autorizada pelo ministro do Supremo Tribunal Federal, Flávio Dino, e corre em sigilo. Paralelamente, a Polícia Civil de São Paulo deflagrou operação contra uma ONG ligada à produtora do longa, sob suspeita de desvio de recursos em um contrato de R$ 157 milhões firmado com a Prefeitura de São Paulo. As duas frentes de apuração ampliam o escrutínio sobre o uso de dinheiro público em projetos culturais e políticos.
O inquérito da PF, aberto em julho de 2026, busca esclarecer se emendas parlamentares foram desviadas para financiar a produção de ‘Dark Horse’, que retrata a vida de Bolsonaro. A suspeita é de que recursos destinados a projetos sociais ou culturais tenham sido redirecionados para o filme, sem a devida prestação de contas. O ministro Flávio Dino atendeu a um pedido da Procuradoria-Geral da República, que identificou indícios de irregularidades na aplicação das verbas. A produtora do filme, que também responde a ações na esfera cível, nega qualquer ilegalidade.
Operação em São Paulo mira contrato milionário
Em paralelo, a Polícia Civil de São Paulo cumpre mandados de busca e apreensão contra uma ONG que tem ligações com a produtora de ‘Dark Horse’. A organização é suspeita de desviar recursos de um contrato de R$ 157 milhões firmado com a Prefeitura de São Paulo, durante a gestão do ex-prefeito Ricardo Nunes. O acordo previa a execução de programas sociais, mas, segundo as investigações, parte do dinheiro teria sido desviada para a produtora do filme. A operação, batizada de ‘Contra-luz’, já apreendeu documentos e computadores na sede da ONG e na residência de seus dirigentes.
O montante de R$ 157 milhões é um dos maiores já investigados em contratos da prefeitura com organizações do terceiro setor. A suspeita é de que a ONG tenha utilizado notas fiscais frias e superfaturado serviços para desviar os recursos. A Prefeitura de São Paulo, em nota, afirmou que colabora com as investigações e que abriu uma sindicância interna para apurar eventuais responsabilidades. O caso também chegou ao Tribunal de Contas do Município, que analisa a legalidade do contrato.
Panorama político e judicial
As investigações ocorrem em um contexto de acirramento da disputa política no país. O filme ‘Dark Horse’, que teve sua estreia prevista para 2026, é visto como uma peça de propaganda política por aliados de Bolsonaro, enquanto críticos apontam que a produção pode ter sido financiada com recursos públicos de forma irregular. A abertura do inquérito pela PF e a operação da Polícia Civil de São Paulo reforçam a atuação do sistema de Justiça no combate ao desvio de verbas, independentemente de viés partidário.
O ministro Flávio Dino, que autorizou a investigação, tem sido alvo de críticas de parlamentares da oposição, que acusam o STF de perseguição política. No entanto, a Procuradoria-Geral da República sustenta que há elementos técnicos que justificam a apuração. Enquanto isso, a Polícia Civil de São Paulo segue com as diligências para rastrear o destino dos R$ 157 milhões. O caso promete movimentar o cenário político nos próximos meses, com possíveis desdobramentos na Câmara dos Deputados e no Senado.
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