Funcionário forja assalto e confessa desvio de R$ 30 mil em posto de combustíveis no Triângulo Mineiro

Um funcionário de 36 anos de um posto de combustíveis em Frutal, no Triângulo Mineiro, foi preso em flagrante na terça-feira (30) após forjar um assalto para tentar esconder o desvio de aproximadamente R$ 30 mil da empresa onde trabalhava. A Polícia Militar (PM) encontrou parte do dinheiro — R$ 8.860 — na casa do pai do suspeito, além de R$ 1,9 mil escondidos no veículo dele, totalizando R$ 10.826 recuperados. O caso, ocorrido em uma região marcada por crimes patrimoniais, expõe fragilidades na fiscalização interna de pequenos negócios e levanta debates sobre a confiança no ambiente corporativo.

Segundo a PM, o homem procurou a polícia relatando que havia sido assaltado enquanto seguia para um banco da cidade para fazer um depósito do posto. Ele afirmou que transitava pela avenida Goiás quando foi abordado por dois homens em uma motocicleta azul, que teriam roubado uma pasta com dinheiro. O suspeito também disse que, antes de ir ao banco, passou na casa do pai por receio de transportar uma quantia elevada. No entanto, durante o atendimento, os policiais identificaram inconsistências nos horários informados, o que levou a uma investigação mais aprofundada.

As equipes foram até a residência do pai do funcionário, que autorizou a entrada. Em um cômodo desativado, os militares encontraram uma pasta preta com R$ 8.860 em dinheiro, dentro de envelopes usados para depósitos bancários. Diante da descoberta, o homem foi novamente questionado e confessou ter inventado o assalto. Ele admitiu que desviava dinheiro do posto havia cerca de três meses, estimando o prejuízo total em R$ 30 mil, embora não tenha conseguido informar o valor exato. Durante buscas no veículo do suspeito, os militares encontraram ainda cerca de R$ 1,9 mil escondidos debaixo do banco do motorista.

Após a confissão, o funcionário recebeu voz de prisão em flagrante pelos crimes de apropriação indébita e falsa comunicação de crime. Ele foi levado à Delegacia de Polícia Civil junto com o dinheiro apreendido. A apropriação indébita, prevista no Código Penal, ocorre quando uma pessoa se apropria de um bem ou valor que pertence a outra, mas que estava sob sua posse ou responsabilidade. A pena é de um a quatro anos de reclusão e multa, podendo ser aumentada em um terço quando o bem é recebido em razão do emprego ou da profissão. Já a falsa comunicação de crime, que simula uma ocorrência policial, também é punível com detenção ou multa.

O caso em Frutal reflete um padrão preocupante de crimes internos em estabelecimentos comerciais na região do Triângulo Mineiro, onde a confiança depositada em funcionários é frequentemente rompida por desvios financeiros. Em um contexto de alta informalidade e baixa fiscalização em pequenos negócios, episódios como este reforçam a necessidade de mecanismos de controle mais rigorosos, como auditorias periódicas e sistemas de monitoramento. A Polícia Militar, que atua em parceria com a Polícia Civil, tem intensificado operações para coibir esse tipo de crime, mas a prevenção ainda depende de medidas internas das empresas.

O nome do suspeito não foi divulgado pela polícia, que segue investigando se há outros envolvidos ou se o valor desviado é maior do que o estimado. A empresa, que não se manifestou oficialmente, deve reavaliar seus processos de segurança financeira. Enquanto isso, o funcionário permanece à disposição da Justiça, e o dinheiro recuperado será devolvido ao posto após conclusão do inquérito.

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