Flávio Bolsonaro busca apoio do Republicanos e avalia ex-presidente da Caixa Daniella Marques como vice

O senador e pré-candidato a presidente Flávio Bolsonaro (PL-RJ) tem considerado o nome da ex-presidente da Caixa Econômica Federal Daniella Marques (Republicanos) como possível candidata a vice da chapa, diante do que aliados descrevem como falta de opções. A movimentação ocorre em meio a um cenário de fragmentação política e crises internas no bolsonarismo, conforme apurado pela Folha de S.Paulo.

Daniella Marques, que comandou a Caixa durante o governo de Jair Bolsonaro e foi auxiliar do ex-ministro da Economia Paulo Guedes, é vista como uma figura capaz de atrair o apoio do Republicanos — partido que integra a base do governo Lula em várias regiões, mas que mantém alas alinhadas à direita. A escolha, no entanto, ainda não é definitiva e depende de negociações com lideranças partidárias e da avaliação de viabilidade eleitoral.

Impasse na chapa e crise no clã Bolsonaro

O impasse na definição do vice reflete um momento delicado para a pré-campanha de Flávio Bolsonaro. Aliados próximos reconhecem que a falta de um nome consolidado para a vice-presidência expõe fragilidades na articulação política, especialmente após o rompimento público entre o senador e a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro. Conforme reportado pelo portal República do Povo, o racha no clã Bolsonaro levou Flávio a tentar conter a crise com Michelle, que disputa espaços e palanques estaduais, enquanto a indefinição sobre a candidatura dela ao Senado pelo Distrito Federal agrava o cenário.

Além disso, a falta de palanque unificado nos quatro maiores colégios eleitorais do país — São Paulo, Minas Gerais, Rio de Janeiro e Bahia — é um entrave significativo. Enquanto Ronaldo Caiado (União Brasil) anunciou Gilberto Kassab (PSD) como vice, o PSD não terá candidatura própria nesses estados, o que fragmenta ainda mais o campo da direita. Em Alagoas, por exemplo, o bolsonarismo enfrenta isolamento, sem candidato a governador e sem palanque para Flávio, conforme destacou o República do Povo.

Panorama eleitoral e desafios regionais

O cenário nacional também pressiona a campanha de Flávio Bolsonaro. Pesquisa Atlas/Bloomberg, divulgada recentemente, aponta o presidente Lula com 48,8% das intenções de voto contra 42,3% de Flávio em eventual segundo turno, indicando uma vantagem do petista. Para reverter esse quadro, o senador precisa ampliar alianças e consolidar palanques estaduais, mas a crise familiar e as disputas internas no PL dificultam a unificação do discurso.

Daniella Marques, por sua vez, representa uma tentativa de atrair o Republicanos — legenda que controla ministérios no governo Lula, mas que tem setores insatisfeitos com a gestão petista. Caso a aliança se concretize, Flávio ganharia um palanque em estados como São Paulo e Rio de Janeiro, onde o partido tem prefeitos e deputados. No entanto, a negociação é complexa, pois o Republicanos também avalia lançar candidatura própria ou apoiar outros nomes da direita, como Tarcísio de Freitas (Republicanos-SP).

Enquanto isso, a indefinição sobre o vice e a falta de unidade no campo bolsonarista mantêm a campanha de Flávio em compasso de espera. A escolha de Daniella Marques, se confirmada, pode ser um movimento para oxigenar a chapa e sinalizar renovação, mas também carrega riscos de desagradar alas mais radicais do eleitorado. O tempo, no entanto, é curto: as convenções partidárias estão marcadas para julho, e o registro de candidaturas deve ocorrer até agosto.

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