PF investiga contratos de R$ 62 milhões do Hospital do Médio Sertão; NG Engenharia concentra 77% dos valores sob suspeita

A Polícia Federal e a Controladoria-Geral da União aprofundam as investigações sobre dois contratos emergenciais firmados pela Secretaria de Estado da Saúde de Alagoas para o Hospital Regional do Médio Sertão, em Palmeira dos Índios, que somam R$ 62 milhões. A unidade foi inaugurada pelo governador Paulo Dantas e, segundo relatório da PF, as contratações concentram cerca de 77% dos valores investigados envolvendo a NG Engenharia, empresa que já figura em outras apurações de desvios no estado. A reportagem faz parte da série exclusiva do Francês News, que revela os bastidores da operação.

Os contratos sob suspeita foram firmados em regime de emergência, modalidade que dispensa licitação, mas que exige comprovação de situação de calamidade ou risco iminente. No entanto, a PF e a CGU apontam indícios de que as contratações podem ter sido direcionadas para beneficiar a NG Engenharia, que já acumula histórico de envolvimento em esquemas de superfaturamento em obras públicas. O hospital, que deveria ampliar o atendimento na região do Médio Sertão alagoano, tornou-se o epicentro de uma investigação que expõe fragilidades na gestão de recursos da saúde pública.

Detalhamento dos contratos e valores sob suspeita

De acordo com os documentos obtidos pela reportagem, os dois contratos emergenciais somam exatos R$ 62.347.890,00. Desse total, a NG Engenharia responde por R$ 48.200.000,00, o equivalente a 77,3% do montante. Os valores foram destinados à conclusão das obras e à aquisição de equipamentos para o hospital, que foi inaugurado em meio a promessas de melhoria no sistema de saúde regional. A PF destaca que a concentração de contratos em uma única empresa, sem a devida transparência nos processos de escolha, levanta suspeitas de conluio e direcionamento.

A investigação também aponta que os contratos foram assinados em períodos próximos, com justificativas genéricas de urgência, sem a apresentação de documentos que comprovassem a real necessidade emergencial. A CGU, em análise preliminar, identificou sobrepreço em itens como materiais de construção e serviços de engenharia, com variações de até 40% em relação aos preços de mercado. A NG Engenharia, por sua vez, nega irregularidades e afirma que todas as contratações seguiram a legislação vigente.

Panorama político e desdobramentos

O caso ganha relevância em um contexto de crescente escrutínio sobre a gestão de recursos públicos em Alagoas. O governo de Paulo Dantas já enfrenta outras investigações, como a que apura desvios no Orçamento Secreto em Rio Largo, com suspeitas de R$ 90 milhões desviados, e a operação que mira o Banco Master e um senador em esquema bilionário. A situação acende alertas sobre a eficácia dos mecanismos de controle e a necessidade de maior transparência nas contratações emergenciais, que muitas vezes servem de porta para irregularidades.

A Polícia Federal já ouviu testemunhas e analisa documentos contábeis da NG Engenharia, além de cruzar dados com outras investigações em andamento no estado. O Tribunal de Contas do Estado de Alagoas também acompanha o caso, após ter identificado aumento de 261% nos gastos do São João de Maceió, o que reforça um padrão de possíveis desvios em diferentes áreas. A expectativa é que a PF conclua a fase de diligências nos próximos meses, podendo resultar em novas denúncias e até mesmo em pedidos de prisão preventiva.

Enquanto isso, a população de Palmeira dos Índios e de toda a região do Médio Sertão aguarda que o hospital cumpra seu papel de oferecer atendimento de qualidade, sem os vícios de gestão que marcam a história recente de Alagoas. A série do Francês News promete trazer novos capítulos, com mais detalhes sobre os contratos e os personagens envolvidos nessa trama que mistura saúde, política e dinheiro público.

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