O senador Renan Calheiros (MDB-AL) acionou o Tribunal Regional Eleitoral de Alagoas (TRE-AL) para tentar impedir a divulgação de uma pesquisa eleitoral prevista para esta sexta-feira (3). O partido do parlamentar alega que o levantamento omitiu três pré-candidatos ao Senado e apresenta supostas irregularidades metodológicas. A ação ocorre em um momento de forte articulação política no estado, onde a sucessão ao governo e as vagas no Senado movimentam os bastidores partidários.
De acordo com a representação protocolada pelo MDB, a pesquisa não incluiu os nomes de Maurício Quintella (MDB), Jorge Viana (PT) e Rodrigo Cunha (PSDB), todos pré-candidatos ao Senado. A ausência desses nomes, segundo o partido, compromete a isonomia e a transparência do levantamento, além de violar normas eleitorais que exigem a inclusão de todos os concorrentes registrados ou com pré-candidatura pública.
Supostas irregularidades metodológicas
O MDB também aponta falhas na metodologia da pesquisa, como a ausência de informações sobre o tamanho da amostra, margem de erro e período de coleta dos dados. A legenda argumenta que essas omissões podem induzir o eleitorado a erro e influenciar indevidamente o processo eleitoral. A ação pede que o TRE-AL determine a suspensão imediata da divulgação até que as correções sejam feitas.
A pesquisa em questão foi encomendada por um veículo de comunicação local e tem previsão de publicação para esta sexta-feira (3). O levantamento é aguardado com expectativa por analistas políticos, pois pode indicar tendências para a disputa ao Senado e ao governo de Alagoas, onde o atual governador Paulo Dantas (MDB) busca a reeleição.
Panorama político e articulações no Congresso
A ação de Renan Calheiros ocorre em meio a um cenário de tensões políticas no Congresso Nacional. O senador, que é um dos líderes do MDB, tem se envolvido em disputas judiciais e políticas recentes, como a condenação a pagar R$ 5 mil por associar o presidente da Câmara, Arthur Lira (PP-AL), ao Caso Master. A decisão, tomada pela Justiça, gerou atritos entre os dois parlamentares e expôs as divisões na base aliada do governo.
Além disso, o governo federal enfrenta uma crise de articulação com o Congresso, especialmente em relação à chamada “pauta-bomba” de R$ 140 bilhões, que inclui a renegociação de dívidas rurais e outras medidas de impacto fiscal. O governo Lula ameaça vetar a proposta, aprovada no Senado, o que pode gerar novos conflitos com os parlamentares.
Enquanto isso, o PT subiu o tom contra o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), alertando para o risco político de travar a PEC 6×1, que propõe a redução da jornada de trabalho. A articulação em torno da pauta mostra a complexidade das negociações no Legislativo, onde cada partido busca proteger seus interesses regionais e eleitorais.
A decisão do TRE-AL sobre a pesquisa em Alagoas deve sair ainda nesta sexta-feira (3). Caso o pedido do MDB seja acatado, a divulgação será suspensa até que as irregularidades sejam sanadas. O caso reforça a importância da transparência e da lisura nos levantamentos eleitorais, especialmente em um ano de disputas acirradas em todo o país.
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