Clínica alvo da PF recebe mais de R$ 5,2 milhões do Governo de Alagoas mesmo sob investigação

Mesmo após ser alvo da Operação Estágio IV, deflagrada pela Polícia Federal (PF), a clínica NOT (Núcleo de Ortopedia e Traumatologia) recebeu mais de R$ 5,2 milhões do Governo de Alagoas apenas em 2026, conforme dados do Portal da Transparência do estado. Até julho deste ano, os valores liquidados — ou seja, já pagos ou em processo de pagamento — somam R$ 5,39 milhões, o que indica que os repasses não foram interrompidos mesmo diante das suspeitas de irregularidades que motivaram a ação federal.

A Operação Estágio IV, realizada em meados de 2025, investigou supostas fraudes em contratos públicos firmados entre a NOT e o governo alagoano, incluindo indícios de superfaturamento e direcionamento de licitações. Apesar disso, os pagamentos continuaram a fluir normalmente, o que levanta questionamentos sobre a efetividade dos mecanismos de controle e transparência no estado. Dados do Portal da Transparência mostram que, entre janeiro e julho de 2026, a NOT recebeu valores que variam de R$ 600 mil a R$ 900 mil por mês, totalizando R$ 5,39 milhões liquidados.

Panorama político e impacto nos cofres públicos

O caso expõe uma fragilidade no sistema de fiscalização de contratos públicos em Alagoas, especialmente em áreas sensíveis como a saúde. A NOT, que atua na prestação de serviços ortopédicos e traumatológicos, é uma das principais fornecedoras do estado, com contratos que somam milhões de reais anualmente. A continuidade dos repasses, mesmo após a operação da PF, sugere que as investigações não resultaram em medidas administrativas imediatas, como suspensão de pagamentos ou rescisão contratual. Especialistas em direito público apontam que, em casos de investigação, o poder público deveria adotar cautelas para evitar danos ao erário, mas a prática mostra que, muitas vezes, a burocracia e a dependência de serviços essenciais dificultam a interrupção de contratos.

O governo de Alagoas, sob a gestão do governador Paulo Dantas (MDB), não se manifestou oficialmente sobre o caso até o momento. No entanto, fontes internas da administração estadual indicam que a Secretaria de Saúde está reavaliando os contratos com a NOT, mas que a continuidade dos serviços é necessária para não desassistir a população. A oposição, por sua vez, já cobra explicações e pede a abertura de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) na Assembleia Legislativa para investigar os repasses. O cenário político em Alagoas, marcado por disputas entre o grupo de Dantas e a oposição liderada pelo ex-governador Renan Filho (MDB), agora no Senado, pode ganhar novos contornos com esse escândalo, que atinge diretamente a credibilidade do governo estadual.

Para o cidadão alagoano, o impacto é direto: os R$ 5,39 milhões repassados à NOT representam recursos que poderiam ser aplicados em outras áreas da saúde, como a compra de medicamentos ou a ampliação de leitos hospitalares. A falta de transparência e a demora na tomada de decisões administrativas reforçam a necessidade de um controle social mais efetivo, com a participação de conselhos de saúde e do Ministério Público. Enquanto isso, a PF continua as investigações, e a NOT segue recebendo verbas públicas, em um ciclo que expõe as fragilidades do sistema de governança no estado.

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