PF investiga suspeita de fraude em mais de 42 mil atendimentos de fisioterapia financiados pelo Estado

A Polícia Federal aponta suspeita de irregularidades em mais de 42 mil atendimentos de fisioterapia realizados pela Clínica NOT em apenas dois meses, conforme investigação que levanta dúvidas sobre o volume de procedimentos apresentados para ressarcimento ao Estado. A unidade recebeu mais de R$ 6,5 milhões em recursos públicos no período, o que acendeu alerta sobre possíveis fraudes em contratos de saúde pública.

Os dados constam de relatório da Polícia Federal que analisou registros de atendimentos da clínica entre os meses de janeiro e fevereiro de 2025. O número de procedimentos — superior a 42 mil — é considerado atípico para uma unidade de pequeno porte, o que motivou a abertura de inquérito para apurar superfaturamento, falsidade ideológica e crimes contra a administração pública.

Volume de atendimentos levanta suspeitas

De acordo com a investigação, a Clínica NOT teria apresentado ao Sistema Único de Saúde (SUS) uma média de mais de 700 atendimentos diários, o que corresponderia a cerca de 30 procedimentos por hora, considerando uma jornada de 24 horas ininterruptas. Especialistas ouvidos pela PF apontam que o volume é incompatível com a capacidade operacional da unidade, que possui estrutura física limitada e equipe reduzida.

O montante de R$ 6,5 milhões repassado pelo Estado à clínica representa um valor médio de aproximadamente R$ 154 por atendimento, acima da média de mercado para procedimentos similares na rede pública. A Polícia Federal suspeita que parte dos atendimentos pode ter sido fraudada, com registros de pacientes que não compareceram ou procedimentos que não foram realizados.

Panorama político e impacto social

O caso ocorre em meio a um cenário de crescente fiscalização sobre contratos de saúde pública no Brasil, especialmente após escândalos recentes envolvendo organizações sociais e clínicas privadas que prestam serviços ao SUS. A investigação da PF reforça a necessidade de maior transparência e controle nos repasses de recursos para a área da saúde, que movimenta bilhões de reais anualmente.

Para especialistas em políticas públicas, o caso da Clínica NOT expõe fragilidades nos mecanismos de auditoria do sistema, que muitas vezes dependem de denúncias ou investigações externas para identificar irregularidades. A situação também levanta questionamentos sobre a responsabilidade dos gestores públicos na supervisão de contratos e na prevenção de desvios de verbas destinadas à saúde da população.

A Polícia Federal informou que as investigações seguem em sigilo, mas que já foram solicitadas quebras de sigilo bancário e fiscal da clínica e de seus sócios. A Clínica NOT ainda não se manifestou oficialmente sobre as acusações. O Estado, por meio da Secretaria de Saúde, afirmou que colabora com as investigações e que abriu uma sindicância interna para apurar possíveis falhas na fiscalização dos contratos.

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