Relatório da PF aponta transferências milionárias da Clínica NOT para esposa de secretário de Saúde de Alagoas

Um relatório da Polícia Federal revelou que Luciana de Fátima Leite Pontes de Miranda, esposa do secretário de Saúde de Alagoas, recebeu mais de R$ 1,1 milhão da Clínica NOT, atualmente sob investigação por suspeitas de irregularidades financeiras. O documento, obtido pelo portal Frances News, detalha 52 transferências bancárias realizadas entre 2021 e 2023, além de R$ 165 mil destinados a uma empresa da qual Luciana é sócia. O caso acende alertas sobre possíveis desvios de recursos públicos no setor de saúde do estado, em meio a um cenário de fragilidade institucional e pressão por transparência.

As transferências, que somam exatos R$ 1.100.000,00, foram feitas em parcelas que variam de R$ 5 mil a R$ 50 mil, conforme o relatório da PF. A Clínica NOT, que presta serviços de hemodiálise e atendimento especializado, é alvo de uma investigação mais ampla sobre contratos superfaturados e pagamentos suspeitos a familiares de gestores públicos. A empresa da qual Luciana é sócia, identificada como Miranda & Pontes Ltda, recebeu os R$ 165 mil em três transações distintas, sem que houvesse contrato formal ou prestação de serviços comprovada.

Contexto político e institucional

O caso ocorre em um momento de tensão no sistema de saúde de Alagoas, que enfrenta denúncias de corrupção e má gestão. O secretário de Saúde, Carlos Eduardo Pontes de Miranda, não se manifestou oficialmente sobre o relatório, mas fontes internas da pasta indicam que ele nega qualquer envolvimento com as transações. A Controladoria-Geral do Estado e o Ministério Público Estadual já abriram procedimentos para apurar os fatos, enquanto a PF aprofunda as investigações sobre a Clínica NOT e seus vínculos com agentes públicos.

Especialistas em direito público ouvidos pelo Republica do Povo destacam que o caso reforça a necessidade de mecanismos mais rigorosos de fiscalização de contratos na saúde, setor que historicamente concentra irregularidades em todo o Brasil. “A proximidade entre gestores e prestadores de serviço, aliada à falta de transparência, cria um ambiente propício para desvios”, avalia a advogada Mariana Costa, do Instituto de Estudos Socioeconômicos. A situação também reacende o debate sobre a Lei de Improbidade Administrativa e a responsabilização de familiares de autoridades.

Enquanto as investigações avançam, a população alagoana aguarda respostas sobre o destino dos recursos públicos destinados à saúde. O relatório da PF, que já foi encaminhado à Justiça Federal, pode resultar em novas quebras de sigilo e depoimentos nos próximos meses. O caso, que envolve cifras milionárias e suspeitas de favorecimento, promete ser um dos mais emblemáticos da atual gestão estadual.

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