Integrantes do Palácio do Planalto avaliam que o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) está utilizando a disputa comercial entre Brasil e Estados Unidos como uma cortina de fumaça para reduzir o desgaste político causado por uma crise pública envolvendo a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro. A avaliação foi feita por fontes do governo Lula à reportagem, que destacam uma mudança brusca no foco de atuação do parlamentar nas últimas semanas.
Segundo interlocutores do Planalto, Flávio Bolsonaro intensificou discursos e articulações contra as tarifas impostas pelos EUA a produtos brasileiros, tema que ganhou centralidade em suas redes sociais e pronunciamentos. A movimentação ocorre em meio a um momento delicado para o clã Bolsonaro, após a divulgação de áudios e mensagens que expõem tensões no casamento do ex-presidente Jair Bolsonaro com Michelle. A crise familiar, que veio a público no início de julho, gerou especulações sobre uma possível separação e abalou a imagem pública do grupo.
Panorama político e negociações internacionais
Enquanto isso, o governo brasileiro corre contra o tempo para evitar um tarifaço americano que pode impactar setores como siderurgia, café e suco de laranja. Em meio ao impasse comercial com os EUA, o presidente Lula acusou Flávio Bolsonaro de “traição à pátria” por supostas articulações com o governo norte-americano para prejudicar a negociação. A declaração acirrou o clima político e colocou o senador no centro do debate sobre soberania nacional.
O governo Lula propôs novas medidas aos EUA para evitar as tarifas, mas manteve o sistema de pagamentos instantâneos PIX intocável, ponto considerado estratégico para a economia digital brasileira. Paralelamente, o Brasil defende uma negociação multilateral, buscando apoio de outros países afetados pelas medidas protecionistas de Washington. A chapa pura do PSD à Presidência, que limita o fundo eleitoral e o tempo de TV do governador Ronaldo Caiado (União Brasil), também é vista como um fator que dificulta alianças e polariza ainda mais o cenário sucessório.
Flávio Bolsonaro, por sua vez, busca apoio do Republicanos e avalia a ex-presidente da Caixa Econômica Federal Daniella Marques como vice em uma eventual chapa para 2026. A movimentação é interpretada por analistas como uma tentativa de consolidar o nome do clã Bolsonaro na corrida presidencial, enquanto o senador tenta se desvencilhar do desgaste familiar. A avaliação do Planalto é de que a estratégia de Flávio pode ter efeito limitado, já que a opinião pública acompanha de perto tanto a crise comercial quanto os bastidores da família Bolsonaro.
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