O prazo para a entrada em vigor de novas tarifas dos Estados Unidos sobre produtos brasileiros termina em dez dias, e o governo brasileiro, sob a presidência de Luiz Inácio Lula da Silva, espera por mais uma reunião de negociação de alto nível antes de 15 de julho. Equipes técnicas dos governos do Brasil e dos Estados Unidos devem se reunir nesta semana para preparar o encontro, que pode definir se as tarifas adicionais propostas por Donald Trump serão implementadas. A ofensiva americana, anunciada em junho, prevê uma tarifa adicional de 25% por supostas práticas comerciais desleais e uma sobretaxa de 12,5% vinculada à alegação de falta de ações contra o trabalho forçado, podendo elevar a carga total sobre produtos brasileiros a 37,5%.
Na última quinta-feira (2), o ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior do Brasil, Márcio Elias, teve uma reunião virtual com o representante de Comércio dos Estados Unidos, Jamieson Greer, para dar continuidade às negociações. No encontro, a equipe brasileira propôs um “mapa do caminho”, com estratégias e ações concretas, como última cartada para tentar reverter ou mitigar as medidas. O governo de Lula apresentou medidas para ampliar as garantias de que as práticas adotadas pelo Brasil não oneram nem restringem o comércio com os norte-americanos, mantendo-se irredutível em relação ao PIX, mas aberto a negociações em outras áreas que preocupam a gestão de Trump.
Panorama das Negociações e Áreas de Conflito
As áreas que preocupam o governo americano incluem tarifas preferenciais desleais, acesso ao mercado de etanol, proteção da propriedade intelectual, combate à corrupção e desmatamento ilegal. Segundo integrantes do governo Lula, a proposta do “mapa do caminho” foi finalizada em conversa com o petista no último dia 24, antes e durante o jogo da Seleção Brasileira contra a Escócia na Copa do Mundo. Lula se reuniu no Palácio da Alvorada com aliados e auxiliares para assistir à partida, que terminou com a vitória do time brasileiro, e deu o aval para a proposta, sinalizando que as medidas poderiam ser apresentadas ao Representante de Comércio dos Estados Unidos. De acordo com interlocutores do presidente, o “mapa do caminho” foi um pedido do governo americano para que o Brasil apresentasse algo na reunião da última quinta.
O cenário político e econômico é tenso, com o governo brasileiro buscando evitar um impacto significativo nas exportações. A ofensiva dos EUA contra o Brasil, que inclui tarifas e acusações de terrorismo, tem gerado reações no Planalto. O presidente Lula já reuniu ministros para discutir a taxação e o terrorismo, enquanto o Congresso Nacional acompanha de perto as negociações. Apesar dos esforços, auxiliares do presidente Lula, sob reserva, afirmam que não acreditam mais em uma reversão completa do tarifaço. Eles dizem que o governo vai tentar esgotar as negociações, como tem orientado o presidente Lula, mostrando os números do comércio entre os dois países e apresentando argumentos técnicos. No entanto, a avaliação interna é que a decisão do USTR tem motivações políticas e não técnicas, o que pode limitar o sucesso das negociações a alguma exceção ou eventual redução das tarifas.
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