Um homem de 21 anos foi preso pela Polícia Civil do Paraná (PC-PR) sob acusação de praticar crimes sexuais contra crianças por meio da plataforma de jogos online Roblox e de redes sociais como Instagram. O suspeito, que mora em Teolândia (BA), se passava por criança ou adolescente nos chats dos jogos para atrair vítimas de 10 a 12 anos. Pelo menos cinco vítimas foram identificadas pela investigação, que começou em Arapoti, nos Campos Gerais do Paraná, após uma mãe descobrir que a filha de 10 anos trocava fotos e vídeos íntimos com o homem. O nome do suspeito não foi divulgado, e o processo tramita sob sigilo.
De acordo com o delegado Thiago Pinheiro, responsável pelo caso, o suspeito agia de forma metódica e manipuladora. Ele criava perfis falsos no Roblox, onde se apresentava como uma criança de 13 ou 15 anos, e iniciava conversas com meninas. Após estabelecer um vínculo de confiança, ele transferia a comunicação para outras plataformas, como o Instagram, já que o chat do Roblox não permite o envio de fotos ou vídeos. Foi nesse ambiente que ele passava a exigir o envio de imagens íntimas das vítimas, enviava fotos de sua própria genitália e ordenava que as mensagens fossem apagadas para ocultar os abusos dos pais.
Método de atuação: grooming e chantagem emocional
Diferentemente de outros casos de abuso online, o suspeito não utilizava ameaças diretas. Em vez disso, ele empregava uma técnica conhecida como grooming, que consiste em conquistar gradualmente a confiança da vítima por meio de atenção, elogios e falsa identificação. Segundo o delegado Thiago Pinheiro, o homem mentia sobre a própria idade e fazia chantagem emocional para manter o controle sobre as meninas. “Após estabelecer um falso vínculo de confiança, o investigado passava a exigir o envio de fotos íntimas da criança de roupa íntima, enviava imagens de sua própria genitália e dava ordens expressas para que as vítimas apagassem as mensagens, visando ocultar os abusos dos pais”, explicou.
A investigação ganhou força após a mãe de uma das vítimas, uma menina de 10 anos, perceber que a filha usava a lanterna do celular à noite de forma suspeita. Ao verificar o aparelho, ela descobriu as conversas e as imagens trocadas com o suspeito. A partir daí, a Polícia Civil iniciou um trabalho de rastreamento digital que culminou na prisão do homem na Bahia, na terça-feira (30).
Panorama geral: crimes virtuais e proteção infantil
O caso expõe a vulnerabilidade de crianças e adolescentes em plataformas de jogos online, que se tornaram alvo frequente de predadores sexuais. O Roblox, que permite que usuários criem e joguem títulos desenvolvidos por outros, tem mais de 200 milhões de usuários ativos mensais, muitos deles menores de idade. A plataforma já anunciou medidas para aumentar a segurança, como a liberação de novos tipos de conta para menores de 16 anos, mas casos como este mostram que a fiscalização ainda é insuficiente.
O delegado Thiago Pinheiro destacou que o suspeito agia como um “predador virtual em série”, aproveitando-se do anonimato e da ausência de barreiras geográficas da internet. Ele também atuava no jogo Free Fire, onde adotava o mesmo comportamento. A polícia encontrou prints de publicações de cunho sexual feitas pelo homem no Instagram, por meio de uma conta falsa, nas quais ele tentava provocar interações com crianças e jovens, expondo intimidades incompatíveis com as idades deles.
A prática de grooming, que envolve a criação de um vínculo emocional para explorar sexualmente a vítima, é crime no Brasil, previsto no Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA). A pena pode chegar a 4 anos de prisão, mas, quando associada a outros crimes, como a produção e o armazenamento de material de abuso sexual infantil, as sanções são mais severas. A Polícia Civil do Paraná segue investigando para identificar outras possíveis vítimas.
O g1 entrou em contato com a assessoria do Roblox para comentar o caso, mas não obteve resposta até a publicação desta reportagem. A plataforma, no entanto, tem histórico de cooperação com autoridades em investigações criminais. A recomendação das autoridades é que pais e responsáveis monitorem a atividade online de crianças e adolescentes, especialmente em jogos com chat aberto, e denunciem qualquer suspeita de abuso às polícias locais ou ao Disque 100.
Fonte: ver noticia original

